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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

FCBA abre inscrições para Curso Estadual de Formação de Árbitros de Capoeira Desportiva na Bahia

A Federação de Capoeira do Estado da Bahia (FCBA) está com inscrições abertas para o Curso Estadual de Formação de Árbitros de Capoeira Desportiva. A iniciativa busca preparar e qualificar profissionais para atuar em competições oficiais da modalidade, seguindo critérios técnicos, éticos e regulamentares.



A formação integra as ações oficiais da entidade voltadas ao desenvolvimento da Capoeira Desportiva no estado. Em publicação institucional recente, a FCBA também informou que o Curso Estadual de Arbitragem será oferecido gratuitamente aos participantes que atenderem aos requisitos previstos em edital próprio. (FCBA)


Agência: O Dobrão Online, Segunda-feira,19h

Formação para atuação em competições

De acordo com as informações divulgadas pela FCBA, o curso foi criado para formar árbitros capacitados para atuar durante competições oficiais de Capoeira Desportiva.

A proposta envolve conhecimentos relacionados às regras da modalidade, procedimentos de arbitragem e conduta necessária para quem participa da organização técnica de competições.

A formação de árbitros tem importância direta para a organização esportiva, principalmente porque a atuação desses profissionais contribui para a aplicação padronizada das regras durante os eventos.

A própria Federação já realizou anteriormente atividades de capacitação voltadas à arbitragem e mantém em seu histórico institucional ações relacionadas à formação de profissionais para competições de Capoeira. (FCBA)

Inscrição é feita pela internet

Os interessados podem acessar o formulário disponibilizado pela FCBA para realizar a inscrição no curso.

A entidade orienta que o candidato confira atentamente os requisitos de participação antes de preencher o formulário e tenha em mãos as informações e documentos eventualmente solicitados durante o cadastro.

Inscreva-se no Curso Estadual de Formação de Árbitros

Um ponto importante é que o preenchimento do formulário não deve ser interpretado como confirmação automática da participação.

Segundo as informações fornecidas pela organização, os dados e documentos enviados serão analisados pela FCBA. A confirmação deverá ser encaminhada posteriormente pelos canais de contato informados pelo candidato.

Curso faz parte da estrutura da Capoeira Desportiva

A iniciativa ocorre dentro de um movimento de organização e qualificação da Capoeira enquanto modalidade esportiva.

Em agosto de 2026, a FCBA publicou edital de campanha de filiação e renovação para capoeiristas interessados em integrar oficialmente o sistema federativo da entidade. O documento também menciona o Curso Estadual de Arbitragem e informa que ele será gratuito para os participantes que cumprirem os requisitos estabelecidos em edital próprio. (FCBA)

A informação é relevante porque diferencia a participação no curso da filiação à Federação. Conforme o edital, a anuidade federativa corresponde ao vínculo institucional com a FCBA e não representa pagamento pelo curso. (FCBA)

Campeonato Baiano também está entre as atividades

Além do curso de arbitragem, a página de inscrições da FCBA apresenta o Campeonato Baiano de Capoeira Desportiva 2026.

A competição é apresentada pela entidade como uma atividade oficial da Federação. Para participar, os interessados devem consultar previamente o regulamento, as categorias disponíveis, os critérios de participação e o cronograma oficial.

A organização também alerta que o simples preenchimento do formulário não garante automaticamente a participação no campeonato. Os documentos e informações enviados precisam passar pela conferência da organização.

Por que a formação de árbitros é importante?

Em uma competição esportiva, a arbitragem tem uma função que vai além de acompanhar os confrontos.

Os árbitros precisam conhecer as regras, compreender os critérios técnicos e aplicar os procedimentos estabelecidos pela organização. Uma formação específica pode ajudar a reduzir interpretações diferentes durante as competições e contribuir para maior uniformidade na condução dos eventos.

No caso da Capoeira Desportiva, a formação também acompanha o processo de estruturação da modalidade dentro do ambiente competitivo.

A FCBA já possui histórico de realização de cursos e atividades de capacitação para árbitros. Em 2025, por exemplo, a entidade promoveu curso de árbitro associado à preparação do Campeonato Baiano de Capoeira, com atividades online e presenciais.

Quem pretende participar deve ficar atento

Antes de preencher o formulário, o candidato deve conferir as exigências estabelecidas pela Federação.

Também é importante acompanhar os canais oficiais da FCBA para eventuais atualizações sobre datas, documentos, critérios de participação e confirmação da inscrição.

Como o formulário não garante automaticamente a participação, o interessado deve aguardar a confirmação da organização.

A recomendação é evitar informações de terceiros que não estejam confirmadas pela Federação e utilizar os canais oficiais para esclarecer dúvidas.

Serviço

Curso: Curso Estadual de Formação de Árbitros de Capoeira Desportiva

Realização: Federação de Capoeira do Estado da Bahia (FCBA)

Objetivo: formação e qualificação de árbitros para competições oficiais de Capoeira Desportiva

Inscrição: formulário online disponibilizado pela FCBA

Situação: inscrições disponíveis conforme a página apresentada pela entidade

Formulário oficial de inscrição

Atenção antes de se inscrever

A FCBA recomenda que o interessado leia as informações da atividade e verifique os requisitos antes de realizar o cadastro.

Também não é correto afirmar que a inscrição garante vaga automaticamente. Conforme a própria organização informa, os dados e documentos enviados serão conferidos antes da confirmação.

Fontes seguras

Federação de Capoeira do Estado da Bahia – FCBA — informações institucionais e edital de filiação de 2026. (FCBA)

Formulário oficial de inscrição do Curso de Árbitros

SUDESB – Governo da Bahia — registro de parceria institucional com a Federação de Capoeira do Estado da Bahia. (ba.gov.br)

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Agenda de capoeira em Salvador: tradição, disputa e ancestralidade movimentam a cidade 2026.2

Capital baiana mantém a capoeira no centro da programação cultural, com rodas, encontros e competições que conectam tradição, memória e novas gerações

Salvador não apenas recebe a capoeira. A cidade é um dos territórios fundamentais para entender a história, a resistência e a transformação dessa manifestação cultural brasileira.

Em agosto de 2026, essa relação volta a ganhar força com uma agenda que reúne rodas, atividades formativas e competições. Entre os destaques está o Red Bull Paranauê 2026, marcado para 29 de agosto, na Praça da Cruz Caída, no Centro Histórico, com entrada gratuita. A programação oficial de turismo de Salvador também já lista o evento na agenda da cidade. (Salvador da Bahia)


Agência, O Dobrão Online,

A capoeira ocupa o Centro Histórico

No dia 29 de agosto, Salvador recebe a quinta edição do Red Bull Paranauê. A competição começa às 13h, na Praça da Cruz Caída, na Praça da Sé, e tem acesso gratuito. (Alô Alô Bahia)

O evento reunirá 16 capoeiristas, distribuídos entre as categorias feminina e masculina. O diferencial está justamente na variedade: os participantes precisam demonstrar domínio de três vertentes da capoeira — Angola, Regional e Contemporânea. (Alô Alô Bahia)

Antes de cada confronto, uma roleta define o toque do berimbau e, consequentemente, o estilo que deverá conduzir o jogo.

Não é apenas competição.

É técnica, improviso, musicalidade e capacidade de adaptação colocados no mesmo espaço.

Três estilos, uma mesma raiz

A diversidade de estilos ajuda a mostrar que a capoeira não é uma prática congelada no passado.

A Capoeira Angola, a Regional e a Contemporânea possuem características e trajetórias próprias, mas compartilham uma mesma base cultural construída a partir da ancestralidade afro-brasileira.

No Paranauê, essa diversidade deixa de ser apenas conceito e vira parte da dinâmica da disputa: o capoeirista precisa responder ao toque escolhido e adaptar seu jogo. (Alô Alô Bahia)

É uma metáfora interessante para a própria história da capoeira.

Ela mudou.

Se reinventou.

Atravessou gerações.

E continua em movimento.

Mulheres também ocupam a roda

Um dos pontos relevantes da programação é a presença das categorias feminina e masculina.

A participação das mulheres ajuda a romper uma visão historicamente associada à capoeira como espaço predominantemente masculino. No evento, elas aparecem como competidoras e também ocupam posições de referência e autoridade dentro da organização.

A arbitragem, por exemplo, inclui a Mestra Nani, representante da Capoeira Angola. A curadoria é do Mestre Sabiá, enquanto outros mestres representam diferentes tradições da modalidade. (Alô Alô Bahia)

Esse movimento importa porque a preservação da capoeira passa também pelo reconhecimento de quem mantém seus saberes vivos.

O Rede Capoeira amplia essa agenda

Antes do Paranauê, Salvador já recebeu, entre 6 e 8 de agosto, a oitava edição do Rede Capoeira, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM).

Com programação gratuita, o festival reuniu oficinas, rodas, debates, apresentações e vivências relacionadas à capoeira e a outras manifestações da cultura popular. (Rede Capoeira)

A programação incluiu uma roda de Capoeira Regional com Mestre Nenel e Mestra Nalvinha, painel sobre capoeira na infância, aula de capoeira infantil e uma aula e roda com Mestre João Grande. (Rede Capoeira)

No sábado, 8 de agosto, a programação ainda contou com uma roda com os chamados Heróis Populares e uma roda de encerramento. (Rede Capoeira)

O festival mostrou que a agenda da capoeira não precisa se limitar ao espetáculo.

Ela pode ser também espaço de formação, pesquisa, transmissão de conhecimento e diálogo entre gerações.

Mais que esporte: patrimônio e identidade

A capoeira foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil, além de ter sido reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Esse reconhecimento ajuda a explicar por que eventos dedicados à modalidade ultrapassam a dimensão esportiva.

Uma roda carrega música.

Carrega oralidade.

Carrega memória.

Carrega movimento.

E carrega uma história de resistência da população negra no Brasil.

Por isso, colocar a capoeira na agenda cultural de Salvador significa também colocar em evidência uma parte fundamental da identidade da cidade.

Salvador como território da capoeira

O próprio cenário dos eventos reforça essa relação.

Praça da Cruz Caída, Centro Histórico, Pelourinho e outros espaços de Salvador não funcionam apenas como cartões-postais. São territórios onde manifestações da cultura afro-brasileira continuam sendo praticadas e ressignificadas.

A escolha da Praça da Cruz Caída para o Paranauê tem ainda um peso simbólico: o espaço é associado a registros históricos de competições de capoeira e, desde 2024, passou a receber o evento. (Alô Alô Bahia)

A cidade, nesse sentido, deixa de ser cenário.

Ela passa a fazer parte da narrativa.

Uma agenda que merece ser acompanhada

Para quem acompanha a capoeira, agosto de 2026 mostra uma Salvador movimentada por diferentes formatos de encontro.

Há competição.

Há roda.

Há aula.

Há debate.

Há transmissão de conhecimento.

E há espaço para crianças, mestres, mestras, pesquisadores, artistas e público.

O calendário disponível no portal Agenda Capoeira também registra diversos encontros e atividades relacionados à modalidade ao longo de agosto, embora seja importante confirmar diretamente com cada organização os detalhes de eventos comunitários antes de se deslocar. (Agenda Capoeira)

Essa diversidade é talvez o melhor retrato da capoeira contemporânea.

Ela preserva a tradição sem deixar de criar novas possibilidades.

Serviço — próximos destaques

Red Bull Paranauê 2026
📅 29 de agosto de 2026
⏰ A partir das 13h
📍 Praça da Cruz Caída — Praça da Sé, Centro Histórico de Salvador
🎟️ Entrada gratuita
🥋 Categorias feminina e masculina
🎶 Capoeira Angola, Regional e Contemporânea

Para acompanhar atualizações da agenda cultural da cidade, o portal oficial Salvador da Bahia mantém uma agenda de eventos e programação cultural. (Salvador da Bahia)

Salvador não precisa procurar a capoeira para encontrá-la.

Ela está nas rodas, nos mestres e mestras, nas crianças que aprendem os primeiros movimentos, no som do berimbau e nos espaços onde a tradição continua sendo transmitida.

Uma agenda de capoeira é, portanto, muito mais do que uma lista de eventos.

É um registro de que uma cultura historicamente perseguida continua ocupando as ruas, os museus, as praças e os palcos.

E talvez essa seja a maior força da capoeira:

ela não apenas sobrevive ao tempo. Ela ensina o tempo a se movimentar.

Fontes

SALVADOR | Memória, arte e resistência: MAFRO-UFBA destaca o protagonismo de mulheres negras na capoeira

Exposição “Memórias de Mulheres Negras na Capoeira: Visibilidade, Luta e Protagonismo em Jogo” transforma o museu em espaço de reconhecimento, ancestralidade e afirmação

O Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (MAFRO-UFBA) abriu espaço para uma discussão que há muito tempo ultrapassa os limites da roda de capoeira: quem são as mulheres negras que construíram, sustentaram e transformaram essa tradição?

A resposta ganha forma na exposição “Memórias de Mulheres Negras na Capoeira: Visibilidade, Luta e Protagonismo em Jogo”, apresentada no Centro Histórico de Salvador.

Exposição “Memórias de Mulheres Negras na Capoeira


Agência: O Dobrão Online,Segunda-feira,13h.

A mostra nasceu de um projeto idealizado pelas capoeiristas Ábia França, Gandaia e Mestra Voltagrande e coloca em evidência trajetórias femininas que ajudam a compreender a capoeira também como território de memória, resistência e disputa por reconhecimento.

A abertura ocorreu em 14 de agosto de 2026, no MAFRO-UFBA. Agora, mais do que registrar a cerimônia de inauguração, o convite é para conhecer as obras e o espaço e perceber o que essa exposição coloca em jogo: a necessidade de reconhecer mulheres negras como protagonistas de suas próprias histórias.

Três mulheres, três memórias, uma narrativa de resistência

A exposição homenageia Teresa de Benguela, Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja, representadas por bustos escultóricos produzidos pela artista e professora Gandaia.

A escolha dessas referências não é casual.

Teresa de Benguela tornou-se símbolo de resistência negra e liderança quilombola. Já Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja integram a memória e a trajetória da capoeira construída por mulheres negras.

Ao colocar essas figuras lado a lado, a exposição cria uma ponte entre diferentes tempos históricos.

Ancestralidade, memória e presente passam a conversar no mesmo espaço.

É uma escolha especialmente significativa em Salvador, cidade profundamente marcada pelas culturas africanas e afro-brasileiras e pela presença histórica da capoeira.

O busto como instrumento de memória

Transformar essas personagens em esculturas também significa enfrentar uma questão fundamental: quem merece ser lembrado e representado nos espaços culturais?

O busto tradicionalmente está associado à preservação da memória de personalidades consideradas importantes. Ao utilizar essa linguagem para homenagear mulheres negras ligadas à resistência e à capoeira, a artista Gandaia contribui para deslocar o centro dessa representação.

Não se trata apenas de criar retratos.

Trata-se de materializar memórias.

A escultura torna visível aquilo que muitas vezes permanece registrado apenas na oralidade, nas experiências pessoais, nos ensinamentos transmitidos entre gerações e nos corpos que continuam praticando a capoeira.

Mulheres negras já estavam na história da capoeira

A exposição também dialoga diretamente com uma questão identificada por pesquisas realizadas na própria Universidade Federal da Bahia.

Estudo acadêmico desenvolvido na UFBA sobre trajetórias e protagonismo de mulheres na capoeira aponta que, embora a presença feminina seja significativa, ainda existem desigualdades relacionadas ao reconhecimento e à ocupação de posições de poder dentro desse universo. (SIGAA UFBA)

Isso muda a forma de olhar para a exposição.

Ela não está simplesmente “incluindo” mulheres em uma história pronta.

Está ajudando a questionar uma narrativa que muitas vezes não deu às mulheres negras o mesmo espaço de visibilidade e autoridade.

A roda também é um espaço de disputa

A capoeira é feita de movimento, música, ritual, corpo e convivência. Mas também envolve relações sociais e disputas por reconhecimento.

Pesquisas da UFBA sobre mulheres negras na capoeira angola mostram justamente como suas trajetórias estão relacionadas a questões de gênero, raça, memória e poder. Um trabalho publicado em material acadêmico da universidade destaca a importância de mulheres negras assumirem espaços de protagonismo e registrarem suas próprias narrativas dentro da capoeira. (Proex UFBA)

Essa perspectiva é fundamental para compreender o título da exposição.

“Visibilidade, Luta e Protagonismo em Jogo” não é apenas um nome. É uma declaração.

A roda deixa de ser observada somente como prática cultural e passa a ser entendida também como espaço onde identidades, memórias e relações de poder são construídas.

O corpo como arquivo

Existe outra dimensão importante nessa discussão: o corpo.

Na capoeira, o corpo guarda conhecimento.

A ginga ensina.

O gesto comunica.

O ritmo transmite.

A roda preserva.

Pesquisas produzidas na UFBA sobre mulheres negras e Capoeira Angola discutem justamente a ideia do corpo como território de memória e como espaço capaz de carregar experiências, ancestralidades e formas de resistência. (Repositório UFBA)

Por isso, uma exposição sobre mulheres negras na capoeira não precisa falar apenas de documentos escritos.

Ela pode falar de corpos, gestos, esculturas, histórias e memórias.

É nesse encontro entre arte e patrimônio que a mostra ganha força.

De Teresa de Benguela às mestras da capoeira

A presença de Teresa de Benguela amplia ainda mais o alcance simbólico da exposição.

Sua trajetória está associada à resistência de comunidades negras e indígenas no Brasil colonial. Ao aproximá-la das figuras de Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja, a exposição cria uma linha de continuidade entre diferentes experiências de liderança e resistência negra.

Não significa dizer que essas histórias são iguais.

Significa reconhecer que existe uma memória de resistência feminina negra que atravessa gerações.

E a arte permite que essa conexão seja percebida de maneira concreta.

O MAFRO como lugar de memória

A realização da exposição no MAFRO-UFBA acrescenta uma camada importante à proposta.

O Museu Afro-Brasileiro da UFBA tem como missão preservar, pesquisar e difundir referências relacionadas às culturas africanas e afro-brasileiras. Nesse ambiente, discutir a presença das mulheres negras na capoeira significa aproximar patrimônio, arte, história e experiência contemporânea.

O museu passa a funcionar não apenas como lugar onde objetos são preservados, mas como espaço onde memórias são revisitadas e novas narrativas podem ser construídas.

E isso é especialmente relevante para histórias que durante muito tempo tiveram pouca presença nos registros oficiais.

Uma exposição para além da inauguração

A abertura aconteceu em 14 de agosto de 2026, mas a importância da mostra não termina na cerimônia.

Agora começa outra etapa: a aproximação do público com as obras.

Conhecer os bustos, observar os detalhes das esculturas e compreender as histórias das mulheres homenageadas é também uma forma de participar dessa construção de memória.

A exposição convida o visitante a olhar para a capoeira por outro ângulo.

Não apenas como jogo; Não apenas como dança; Não apenas como luta.

Mas como patrimônio vivo e território de conhecimento.

Por que essa exposição importa?

Porque visibilidade não é apenas aparecer.

Visibilidade também significa ser reconhecida como autora da própria história.

Quando mulheres negras ocupam museus, pesquisas, exposições, rodas e espaços de decisão, novas referências passam a existir para as próximas gerações.

Meninas negras que entram em contato com essas histórias encontram algo poderoso: a possibilidade de enxergar mulheres negras não apenas como personagens do passado, mas como mestras, artistas, pesquisadoras, lideranças e produtoras de conhecimento.

Essa mudança de perspectiva é uma das maiores contribuições que uma exposição pode oferecer.

Objetivo Maior: colocar as mulheres no centro também é preservar a capoeira

A história da capoeira não cabe em uma única narrativa.

Ela foi construída por muitos corpos, muitas vozes e muitas gerações.

Mas algumas dessas vozes foram menos registradas, menos reconhecidas e menos celebradas.

Por isso, uma exposição dedicada às memórias de mulheres negras na capoeira não deve ser vista como um complemento à história.

Ela é parte da própria história.

Teresa de Benguela, Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja representam momentos e trajetórias diferentes, mas ajudam a lembrar uma mesma verdade: mulheres negras nunca estiveram ausentes da construção da resistência.

O que muitas vezes faltou foi espaço para que suas histórias fossem vistas.

Agora, elas ocupam o museu; Ocupam a escultura; Ocupam a memória. E ocupam o centro da roda.

Conhecer essa exposição é mais do que visitar obras de arte. É reconhecer quem também construiu a história da capoeira — e garantir que essas memórias continuem sendo transmitidas.

Serviço

Exposição: “Memórias de Mulheres Negras na Capoeira: Visibilidade, Luta e Protagonismo em Jogo”
Local: Museu Afro-Brasileiro — MAFRO/UFBA, Centro Histórico de Salvador
Abertura: 14 de agosto de 2026, às 17h
Artistas/proponentes do projeto: Ábia França, Gandaia e Mestra Voltagrande
Homenageadas: Teresa de Benguela, Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja
Esculturas: Gandaia

Para acompanhar informações e registros da exposição, o perfil oficial do MAFRO-UFBA é o canal indicado pelo museu nas redes sociais.

Para informações atualizadas sobre visitação, programação e atividades, consulte os canais oficiais do MAFRO/UFBA  | MAFRO - Museu Afro-Brasileiro Largo do Terreiro de Jesus s/n, Prédio da Faculdade de Medicina da Bahia CEP: 40026-010 Centro Histórico Salvador-BA, Brasil Telefone/Fax: +55 (71)3283-5540 Email: mafro@ufba.br.

Fontes 

  • MAFRO/UFBA — Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia

  • UFBA — Portal de Programas de Pós-Graduação, com pesquisa sobre trajetória e protagonismo de mulheres na capoeira. (SIGAA UFBA)

  • Repositório Institucional da UFBA, com pesquisas acadêmicas sobre mulheres negras e Capoeira Angola. (Repositório UFBA)

  • Revista Feminismos — UFBA, artigo sobre capoeira, ancestralidade, memória e mulheres negras. (Periódicos UFBA)

  • Instagram oficial do MAFRO-UFBA: @mafroufba

MAFRO-UFBA mantém programação com destaque para a presença das mulheres na exposição “Máfricas”

 Mostra de longa duração propõe um olhar decolonizador sobre as Áfricas e coloca as mulheres no centro de uma narrativa sobre cultura, memória e identidade. Aprecie enquanto está na cidade a sua disposição.

Em Salvador, falar sobre a presença africana é também falar sobre memória, resistência e protagonismo. É nesse território que o Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (MAFRO/UFBA) mantém a exposição “Máfricas: as Áfricas do MAFRO”, uma mostra de longa duração que propõe novas formas de olhar para a história e para as culturas africanas.

Presença das mulheres na exposição “Máfricas”

Agência: O Dobrão Online,Segunda-feira,12h.

Inaugurada em 2018, a exposição foi concebida para requalificar o setor África do museu e apresenta parte da Coleção Africana do MAFRO. Segundo o próprio museu, a mostra está organizada em quatro núcleos temáticos: as doze primeiras peças, linguagens, mulheres e afrofuturismo. A presença das mulheres, portanto, não aparece como elemento secundário, mas como um dos eixos estruturantes da narrativa. (Mafro)

Artigo completo:

Mulheres não são detalhe. São parte da história

A escolha de dedicar um núcleo específico às mulheres amplia o debate sobre como as sociedades africanas são representadas dentro dos museus.

Durante muito tempo, narrativas sobre África foram construídas a partir de perspectivas externas, frequentemente reduzindo o continente a imagens de exotismo, conflito ou ancestralidade estática. “Máfricas” segue outra direção ao propor, nas palavras do próprio MAFRO, “um olhar decolonizador sobre África”. (Mafro)

Nesse contexto, colocar as mulheres em evidência significa reconhecer seus papéis na produção de conhecimento, na transmissão de saberes, nas práticas religiosas, nas linguagens, nas relações sociais e na construção das identidades africanas e afro-diaspóricas.

A discussão também dialoga com pesquisas desenvolvidas na própria UFBA. O MAFRO disponibiliza estudo acadêmico dedicado à representação das mulheres negras nos museus de Salvador, mostrando como as instituições museológicas também participam da construção de imagens e narrativas sobre gênero e raça. (Mafro)

Uma coleção que atravessa o Atlântico

Outro ponto importante da exposição é a origem de parte do acervo apresentado.

O MAFRO informa que sua coleção é formada, de maneira geral, por dois grandes conjuntos: Africana e Afro-Brasileira. Em “Máfricas”, são apresentadas peças da Coleção Africana recolhidas por Pierre Fatumbi Verger em países da África Ocidental entre 1974 e 1975. (Mafro)

Entre os objetos estão peças relacionadas às artes, à religião, às linguagens e aos saberes. O museu explica que, durante uma viagem à Nigéria e ao Benim, Verger adquiriu 254 objetos destinados ao acervo, muitos deles ligados às tradições culturais que seriam posteriormente representadas no museu. (Mafro)

Há ainda um detalhe que ajuda a compreender a complexidade dessa coleção: as doze primeiras peças do MAFRO são cópias de objetos provenientes da atual República Democrática do Congo, doadas pelo Museu Real da África Central, em Tervuren, na Bélgica. (Mafro)

Ou seja, a exposição não apresenta apenas objetos. Ela apresenta trajetórias, deslocamentos e relações históricas entre África, Europa e Brasil.

Da peça ao protagonismo

É justamente aí que a presença das mulheres ganha força editorial.

Uma exposição museológica não é apenas uma reunião de objetos. A seleção, a organização e os textos que acompanham as peças ajudam a definir quais histórias serão contadas e de que maneira serão contadas.

“Máfricas” foi criada a partir de uma perspectiva que busca requalificar a narrativa sobre o continente africano. O projeto conceitual e curatorial é da museóloga Graça Teixeira, e a exposição contou com textos produzidos por pesquisadores convidados, entre eles Joana Flores, Juipurema Sandes, Henrique Freitas, Joseania Freitas e Thiara Matos. (Mafro)

Essa construção coletiva reforça uma mudança importante: falar de África não deve significar apenas falar sobre África, mas criar condições para que diferentes sujeitos, saberes e perspectivas façam parte da narrativa.

O museu como espaço de disputa de memória

A atuação do MAFRO vai além da exposição.

A instituição se apresenta como espaço de investigação, ensino e extensão ligado à Museologia da UFBA. Também desenvolve ações relacionadas à pesquisa, exposições temporárias, atividades educativas e difusão de informações provenientes de seu acervo. (Mafro)

Essa atuação transforma o museu em um espaço estratégico para discutir identidade, patrimônio e representação.

Em uma cidade como Salvador, cuja história está profundamente ligada à presença africana e afro-brasileira, essa responsabilidade ganha uma dimensão ainda maior. O museu não apenas preserva objetos: ajuda a produzir novas possibilidades de leitura sobre aquilo que a sociedade escolhe lembrar.

Por que olhar para as mulheres importa?

Porque nenhuma narrativa sobre África pode ser completa quando metade de seus protagonistas é colocada em segundo plano.

Ao reservar um dos quatro núcleos de “Máfricas” às mulheres, o MAFRO contribui para deslocar o olhar tradicional e ampliar a compreensão sobre as experiências femininas em diferentes contextos africanos.

Mais do que representar mulheres, a questão é reconhecer agência: mulheres que produzem, criam, preservam, transformam, lideram, ensinam e participam ativamente da construção de suas comunidades e culturas.

Essa perspectiva também ajuda o público brasileiro a compreender que a história da diáspora africana não pode ser contada sem considerar os protagonismos femininos que atravessaram o Atlântico e ajudaram a formar a sociedade brasileira.

Uma exposição que continua provocando perguntas

“Máfricas: as Áfricas do MAFRO” foi inaugurada em setembro de 2018 e permanece apresentada pelo museu entre suas exposições de longa duração. A proposta continua relevante justamente porque não entrega uma visão única ou definitiva sobre África: ela convida o visitante a reconsiderar aquilo que já pensa saber. (Mafro)

Ao colocar mulheres, linguagens e afrofuturismo ao lado da história das primeiras peças do acervo, a exposição constrói uma narrativa que conecta passado, presente e futuro.

E talvez esteja aí sua principal força.

“Máfricas” lembra que preservar memória também é disputar o direito de contar a própria história. E, nessa história, as mulheres não ocupam as margens: elas também estão no centro.

Serviço

O MAFRO/UFBA está localizado no Largo do Terreiro de Jesus, s/n, Prédio da Faculdade de Medicina da Bahia, Centro Histórico de Salvador.

A página institucional do museu informa visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, para a exposição “MÁFRICAS – As Áfricas do MAFRO”. (Mafro)

Para informações atualizadas sobre visitação, programação e atividades, consulte os canais oficiais do MAFRO/UFBA  | MAFRO - Museu Afro-Brasileiro Largo do Terreiro de Jesus s/n, Prédio da Faculdade de Medicina da Bahia CEP: 40026-010 Centro Histórico Salvador-BA, Brasil Telefone/Fax: +55 (71)3283-5540 Email: mafro@ufba.br.

Fontes institucionais: Museu Afro-Brasileiro da UFBA e Universidade Federal da Bahia.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Dobrão de Pedra ou de Metal no Berimbau: Qual a Diferença?

O som que nasce dos dedos: dobrão de pedra ou de metal no berimbau?

Por Agência O Dobrão Online | 10 Julho de 2026


O dobrão de berimbau é um dos componentes mais importantes do berimbau. Neste artigo, conheça a história do dobrão de pedra e do dobrão de metal, descubra suas diferenças sonoras e entenda por que a escolha depende da preferência e da técnica de cada capoeirista.

Dobrão de Berimbau (Metal e Pedra/Seixos)

Quem já participou de uma roda de capoeira sabe que o berimbau é muito mais do que um instrumento musical. Ele conduz o ritmo da roda, orienta o jogo e ajuda a criar a atmosfera da capoeira.

Entre seus componentes existe uma peça pequena, mas essencial: o dobrão. Segurado entre os dedos do tocador, ele pressiona o arame para produzir as diferentes notas do berimbau.

Ao longo do tempo, dois materiais se tornaram os mais utilizados: metal e pedra. Ambos cumprem a mesma função, mas oferecem características sonoras e táteis diferentes.

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A origem do dobrão

O nome "dobrão" vem das antigas moedas metálicas que circularam no Brasil durante o período colonial. Com o passar dos anos, capoeiristas passaram a utilizar moedas de cobre ou latão para pressionar o arame do berimbau, e o nome permaneceu mesmo quando outros materiais começaram a ser usados.

Registros históricos mostram que moedas foram amplamente empregadas pelos praticantes de capoeira, principalmente entre o final do século XIX e o século XX, quando eram fáceis de encontrar e possuíam tamanho adequado para o instrumento.

O dobrão de metal

O dobrão metálico continua sendo um dos mais utilizados atualmente.

Seu contato direto com o arame produz um som mais definido, brilhante e com resposta rápida, facilitando mudanças de nota e efeitos característicos do berimbau.

Além da sonoridade, o metal apresenta algumas vantagens:

  • grande durabilidade;

  • formato uniforme;

  • boa resistência ao desgaste;

  • fácil reposição.

Hoje também existem dobrões fabricados especialmente para berimbau, produzidos por artesãos e luthiers, mantendo medidas e acabamento próprios para o instrumento.

O dobrão de pedra

O uso de pedras também faz parte da tradição do berimbau. Geralmente são escolhidos seixos naturalmente lisos e achatados, que oferecem conforto durante a execução.

Cada pedra possui formato, peso e textura únicos, tornando cada dobrão praticamente exclusivo.

Em relação ao som, muitos tocadores descrevem a resposta como um pouco mais suave e menos metálica do que a produzida pelo dobrão de metal. Essas diferenças, porém, dependem também do arame, da verga, da cabaça e da técnica de quem toca.

Por isso, a preferência entre pedra e metal costuma ser uma questão de experiência pessoal.

Pedra ou metal: existe um melhor?

Não existe uma resposta definitiva.

Os dois materiais desempenham a mesma função e fazem parte da história do berimbau.

Enquanto alguns capoeiristas preferem a precisão e a resistência do metal, outros valorizam a sensação natural da pedra e sua ergonomia.

Mais importante do que o material é conhecer o próprio instrumento e desenvolver uma boa técnica para explorar todas as possibilidades sonoras do berimbau.

Comparando os dois

Dobrão de metal
  • Geralmente é feito de moeda ou peça metálica própria para berimbau.
  • Possui alta durabilidade e dificilmente sofre danos com o uso.
  • Seu formato costuma ser uniforme, facilitando a adaptação.
  • A superfície lisa proporciona uma pegada firme.
  • Produz um som mais brilhante, definido e com resposta rápida.

Dobrão de pedra (seixos)

  • Normalmente é confeccionado a partir de um seixo natural liso.
  • Também é resistente, embora possa quebrar em quedas ou impactos.
  • Cada pedra possui formato, peso e textura próprios.
  • Oferece uma sensação mais natural nas mãos.
  • Muitos capoeiristas percebem uma sonoridade mais suave e menos metálica.
Importante: A sonoridade do berimbau não depende apenas do dobrão. O tipo de arame, a verga, a cabaça e a técnica do tocador também influenciam diretamente o resultado final.

 

Portanto, o dobrão é um dos menores componentes do berimbau, mas exerce papel fundamental na construção do seu som.

Seja utilizando metal ou pedra, a escolha faz parte da identidade de cada capoeirista e da relação que desenvolve com o instrumento.

Experimentar diferentes materiais é a melhor maneira de descobrir qual deles proporciona maior conforto e a sonoridade que mais agrada aos seus ouvidos.

Referências

terça-feira, 7 de abril de 2026

Governo da Bahia abre inscrições para o Programa de Qualificação em Artes 2026; Veja como participar

 Atenção, artistas e produtores culturais da Bahia! Se você busca aprimorar seus conhecimentos e fortalecer sua atuação no setor cultural, uma excelente oportunidade acaba de surgir. Estão abertas as inscrições para o Programa de Qualificação em Artes 2026, uma iniciativa que oferece formação gratuita e atualização profissional em diversas regiões do estado.

Com foco no desenvolvimento cultural, social e econômico, o programa promete descentralizar o acesso ao conhecimento artístico, contemplando 19 municípios baianos.

Grupo de artistas diversos praticando dança e música em oficina cultural na Bahia.

Quem pode participar do programa?

O Programa de Qualificação em Artes é inclusivo e voltado para quem já vive ou deseja profissionalizar sua arte. Podem se inscrever:

  • Artistas e grupos independentes.

  • Produtores culturais.

  • Trabalhadores da cultura em geral.

  • Idade mínima: A partir de 16 anos (necessário ter experiência prévia em artes).

Estrutura dos Cursos e Horários

Pensado para quem já possui uma rotina de trabalho, o programa possui uma estrutura modular que facilita a participação. Confira os detalhes técnicos:

  • Carga Horária Total: 60 horas (divididas em 4 módulos de 15h cada).

  • Período das aulas: De abril a agosto de 2026.

  • Dias e Horários:

    • Sexta-feira: Turno da noite.

    • Sábado: Manhã e tarde.

    • Domingo: Turno da manhã.

Como realizar sua inscrição

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas exclusivamente pela internet. Fique atento ao prazo curto para não perder a vaga!

  • Período de Inscrição: De 02 a 10 de abril de 2026.

  • Onde se inscrever: O cadastro deve ser realizado através do portal oficial do Governo do Estado da Bahia.

👉 Clique aqui para acessar o formulário oficial e fazer sua inscrição no Programa de Qualificação em Artes

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Igreja do Rosário dos Pretos no Pelourinho | Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Salvador) - Bahia

Igreja do Rosário dos Pretos no Pelourinho

Igreja do Rosário dos Pretos - Pelourinho - Salvador   Bahia

A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, localizada no Pelourinho, em Salvador, é um dos mais importantes marcos históricos e culturais do Brasil. Construída no século XVIII, a igreja é um símbolo da resistência e da fé da população afrodescendente, especialmente dos escravizados, que buscavam um espaço próprio para manifestar sua religiosidade.

História e Significado

"A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Salvador foi formalmente constituída em 1685, foi uma das primeiras irmandades negras do Brasil, sendo antecedida somente pelas de Olinda (meados do século XVI), Recife (1654), Rio de Janeiro (meados do século XVII) e Belém do Pará (1682). A irmandade foi elevada à Ordem Terceira em julho de 1899. As irmandades de negros começavam reunindo-se nos altares laterais de igrejas matrizes ou conventuais, mas em 1704 a do Rosário reuniu o dinheiro necessário e recebeu a permissão do arcebispo D. Sebastião Monteiro de Vide para a construção de uma igreja própria nas Portas do Carmo. O nome se refere à existência na zona de uma das portas da cidade fortificada, por onde saía o caminho (atualmente a ladeira do Pelourinho) até o Convento do Carmo. Na zona também estava localizado o Quartel do Carmo, onde se alojavam os soldados que defendiam essa entrada da cidade." - [Wikipédia, 2023]

A construção da igreja teve início em 1704, promovida pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Essa irmandade foi formada por negros escravizados e libertos, que não eram aceitos nas igrejas frequentadas pelos brancos. A igreja, portanto, serviu como um espaço de acolhimento, onde a cultura e a espiritualidade africanas podiam ser integradas à liturgia católica.

"IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
Nome atribuído: Igreja do Rosário dos Pretos
Outros Nomes: Igreja do Rosário dos Pretos do Pelourinho; Igreja do Rosário; Igreja do Rosário da Baixa dos Sapateiros; Igreja de Nossa Senhora do Rosário das Portas do Carmo
Localização: Praça José de Alencar – Salvador – BA
Número do Processo: 122-T-1938
Livro do Tombo Belas Artes: Inscr. nº 129, de 17/06/1938
Observações: O tombamento inclui todo o seu acervo, de acordo com a Resolução do Conselho Consultivo da SPHAN, de 13/08/1985, referente ao Processo Administrativo nº 13/85/SPHAN." - iPatrimonio.org


Arquitetura

A igreja segue o estilo barroco, característico da época, mas com toques mais simples, já que foi erguida com os recursos limitados dos seus fundadores. O interior é adornado com altares em talha dourada e imagens sacras, incluindo uma representação de Nossa Senhora do Rosário. Um aspecto notável é que muitos dos santos venerados ali têm forte identificação com as tradições africanas, estabelecendo uma relação simbólica com orixás do candomblé.

Sincretismo Religioso

O sincretismo religioso é uma característica marcante dessa igreja. Embora dedicada à Nossa Senhora do Rosário, a celebração de festas como a de Santa Bárbara (associada a Iansã no candomblé) e São Benedito reflete a fusão entre o catolicismo e as religiões de matriz africana, mostrando a resistência cultural dos afrodescendentes em manter suas tradições vivas sob condições de opressão.

Patrimônio Histórico

A Igreja do Rosário dos Pretos foi tombada como Patrimônio Histórico pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Está inserida no coração do Pelourinho, que é reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Sua preservação é essencial não só por seu valor arquitetônico, mas também por seu significado na luta pela identidade e pelos direitos dos afro-brasileiros.

Atividades Culturais e Religiosas

Hoje, a igreja é um espaço ativo de celebrações e eventos culturais. Missas afro, que integram cânticos e ritmos de origem africana, são celebradas regularmente, atraindo tanto fiéis quanto turistas interessados em vivenciar essa rica manifestação cultural. A Festa de Nossa Senhora do Rosário, realizada em outubro, é um dos destaques do calendário local.

Importância Atual

A Igreja do Rosário dos Pretos continua a ser um símbolo de resistência, fé e preservação cultural. É um lembrete poderoso da contribuição africana para a formação da identidade brasileira e uma homenagem à força de um povo que, mesmo diante das adversidades, encontrou meios de afirmar sua fé e cultura.


Referências

WIKIPÉDIA, Enciclopedia Livre - Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Salvador) -  - Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ros%C3%A1rio_dos_Pretos_(Salvador)>

IPATRIMONIO, Blog - Igreja do Rosário dos Pretos - Salvador - Disponível em: <https://www.ipatrimonio.org/salvador-igreja-do-rosario-dos-pretos/#!/map=38329&loc=-12.971109000000004,-38.508066,17>

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Como é feito um Pandeiro? | Curiosidades e Origem

Origem - Pandeiro





O pandeiro é um instrumento musical de percussão de origem antiga, com raízes que remontam a diferentes culturas ao redor do mundo. Aqui estão algumas informações sobre a origem e a evolução do pandeiro:




1. Origens Antigas: O pandeiro tem uma história que remonta à Antiguidade. Há evidências de instrumentos semelhantes sendo usados em diversas culturas ao redor do Mediterrâneo e do Oriente Médio desde tempos pré-romanos e babilônicos. Na Grécia Antiga, por exemplo, existiam instrumentos de percussão semelhantes, como o "tympanon".


2. Chegada à Península Ibérica: Durante a expansão árabe-muçulmana na Península Ibérica (séculos VIII a XV), o pandeiro foi introduzido na região pelos mouros. Ele era conhecido como "def" ou "duff" e fez parte da música tradicional e popular da Península Ibérica.


3. Adaptação na Península Ibérica: O pandeiro árabe-muçulmano foi adaptado e integrado à cultura ibérica, especialmente durante a Idade Média. A partir daí, o instrumento se espalhou por toda a Europa.


4. Desenvolvimento na Cultura Brasileira: No Brasil, o pandeiro foi introduzido durante o período colonial pelos colonizadores portugueses. Ele se tornou um instrumento fundamental na música popular brasileira, especialmente na música folclórica, no samba, no choro e em várias outras formas de música tradicional e urbana.


5. Características e Evolução: O pandeiro é caracterizado por seu corpo circular, geralmente feito de madeira, com pele esticada (tradicionalmente couro de cabra) e platinelas metálicas que produzem um som característico de batida e rotação. Ao longo dos séculos, o design e a construção do pandeiro evoluíram, adaptando-se às preferências musicais e técnicas de diferentes culturas ao redor do mundo.

Assim, o pandeiro é um instrumento que atravessa fronteiras culturais e geográficas, desempenhando papéis significativos na música e na cultura de várias civilizações ao longo da história.


Como é feito um Pandeiro?

A fabricação de um pandeiro de couro envolve várias etapas que combinam habilidade artesanal e conhecimento dos materiais. Aqui está um resumo do processo:

  1. Seleção dos Materiais:

    • Aro: Pode ser feito de madeira (como mogno ou pau-marfim) ou metal.
    • Couro: Geralmente de cabra, mas pode ser de outros animais, como vaca ou ovelha.
    • Platinelas: Peças metálicas que produzem o som característico do pandeiro.
  2. Preparação do Aro:

    • Corte: O aro é cortado no tamanho adequado, geralmente com um diâmetro de 10 a 12 polegadas.
    • Lixamento: As bordas e a superfície do aro são lixadas para evitar farpas e melhorar o acabamento.
    • Furação: Furos são feitos no aro para a inserção das platinelas e para a fixação do couro.
  3. Preparação do Couro:

    • Limpeza e Amaciamento: O couro é limpo e amaciado, muitas vezes sendo mergulhado em água para tornar-se flexível.
    • Corte: O couro é cortado em um círculo um pouco maior que o diâmetro do aro.
  4. Montagem:

    • Fixação do Couro: O couro úmido é esticado sobre o aro e preso com tachinhas ou pregos pequenos. Conforme seca, o couro encolhe, ajustando-se firmemente ao aro.
    • Ajuste das Platinelas: As platinelas são inseridas nos furos feitos no aro. Elas são fixadas de forma que possam vibrar livremente.
  5. Acabamento:

    • Pintura ou Verniz: O aro pode ser pintado ou envernizado para proteção e estética.
    • Secagem e Ajustes Finais: O pandeiro é deixado para secar completamente. Depois, ajustes finais são feitos para garantir que o couro esteja bem esticado e que as platinelas estejam bem posicionadas.
  6. Testes:

    • O pandeiro é testado para garantir a qualidade do som. Ajustes finais podem ser feitos para otimizar o timbre e a afinação. 
    • Teste o pandeiro tocando-o para ajustar a tensão da pele ou o posicionamento das platinelas, se necessário, para obter o som desejado.

Esse processo pode variar um pouco dependendo do fabricante ou das técnicas artesanais específicas, mas, em geral, esses são os passos básicos para a construção de um pandeiro de couro.



Livros e Estudos Acadêmicos:

  • "The Frame Drum in the Mediterranean: History, Development, and Iconography" por Tina Negus (disponível em inglês).
  • "A Música no Mundo Antigo: Gregos e Romanos" por Carlos A. Martins.
  • "A Música na Grécia Antiga" por Luiz Fernando Ribeiro de Souza.

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