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"Sabido: os negros, as senzalas, o candomblé e a capoeira não eram e nem viviam separados. Até porque esta era a realidade.” - Ru Aisó.

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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

SALVADOR | Memória, arte e resistência: MAFRO-UFBA destaca o protagonismo de mulheres negras na capoeira

Exposição “Memórias de Mulheres Negras na Capoeira: Visibilidade, Luta e Protagonismo em Jogo” transforma o museu em espaço de reconhecimento, ancestralidade e afirmação

O Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (MAFRO-UFBA) abriu espaço para uma discussão que há muito tempo ultrapassa os limites da roda de capoeira: quem são as mulheres negras que construíram, sustentaram e transformaram essa tradição?

A resposta ganha forma na exposição “Memórias de Mulheres Negras na Capoeira: Visibilidade, Luta e Protagonismo em Jogo”, apresentada no Centro Histórico de Salvador.

Exposição “Memórias de Mulheres Negras na Capoeira


Agência: O Dobrão Online,Segunda-feira,13h.

A mostra nasceu de um projeto idealizado pelas capoeiristas Ábia França, Gandaia e Mestra Voltagrande e coloca em evidência trajetórias femininas que ajudam a compreender a capoeira também como território de memória, resistência e disputa por reconhecimento.

A abertura ocorreu em 14 de agosto de 2026, no MAFRO-UFBA. Agora, mais do que registrar a cerimônia de inauguração, o convite é para conhecer as obras e o espaço e perceber o que essa exposição coloca em jogo: a necessidade de reconhecer mulheres negras como protagonistas de suas próprias histórias.

Três mulheres, três memórias, uma narrativa de resistência

A exposição homenageia Teresa de Benguela, Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja, representadas por bustos escultóricos produzidos pela artista e professora Gandaia.

A escolha dessas referências não é casual.

Teresa de Benguela tornou-se símbolo de resistência negra e liderança quilombola. Já Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja integram a memória e a trajetória da capoeira construída por mulheres negras.

Ao colocar essas figuras lado a lado, a exposição cria uma ponte entre diferentes tempos históricos.

Ancestralidade, memória e presente passam a conversar no mesmo espaço.

É uma escolha especialmente significativa em Salvador, cidade profundamente marcada pelas culturas africanas e afro-brasileiras e pela presença histórica da capoeira.

O busto como instrumento de memória

Transformar essas personagens em esculturas também significa enfrentar uma questão fundamental: quem merece ser lembrado e representado nos espaços culturais?

O busto tradicionalmente está associado à preservação da memória de personalidades consideradas importantes. Ao utilizar essa linguagem para homenagear mulheres negras ligadas à resistência e à capoeira, a artista Gandaia contribui para deslocar o centro dessa representação.

Não se trata apenas de criar retratos.

Trata-se de materializar memórias.

A escultura torna visível aquilo que muitas vezes permanece registrado apenas na oralidade, nas experiências pessoais, nos ensinamentos transmitidos entre gerações e nos corpos que continuam praticando a capoeira.

Mulheres negras já estavam na história da capoeira

A exposição também dialoga diretamente com uma questão identificada por pesquisas realizadas na própria Universidade Federal da Bahia.

Estudo acadêmico desenvolvido na UFBA sobre trajetórias e protagonismo de mulheres na capoeira aponta que, embora a presença feminina seja significativa, ainda existem desigualdades relacionadas ao reconhecimento e à ocupação de posições de poder dentro desse universo. (SIGAA UFBA)

Isso muda a forma de olhar para a exposição.

Ela não está simplesmente “incluindo” mulheres em uma história pronta.

Está ajudando a questionar uma narrativa que muitas vezes não deu às mulheres negras o mesmo espaço de visibilidade e autoridade.

A roda também é um espaço de disputa

A capoeira é feita de movimento, música, ritual, corpo e convivência. Mas também envolve relações sociais e disputas por reconhecimento.

Pesquisas da UFBA sobre mulheres negras na capoeira angola mostram justamente como suas trajetórias estão relacionadas a questões de gênero, raça, memória e poder. Um trabalho publicado em material acadêmico da universidade destaca a importância de mulheres negras assumirem espaços de protagonismo e registrarem suas próprias narrativas dentro da capoeira. (Proex UFBA)

Essa perspectiva é fundamental para compreender o título da exposição.

“Visibilidade, Luta e Protagonismo em Jogo” não é apenas um nome. É uma declaração.

A roda deixa de ser observada somente como prática cultural e passa a ser entendida também como espaço onde identidades, memórias e relações de poder são construídas.

O corpo como arquivo

Existe outra dimensão importante nessa discussão: o corpo.

Na capoeira, o corpo guarda conhecimento.

A ginga ensina.

O gesto comunica.

O ritmo transmite.

A roda preserva.

Pesquisas produzidas na UFBA sobre mulheres negras e Capoeira Angola discutem justamente a ideia do corpo como território de memória e como espaço capaz de carregar experiências, ancestralidades e formas de resistência. (Repositório UFBA)

Por isso, uma exposição sobre mulheres negras na capoeira não precisa falar apenas de documentos escritos.

Ela pode falar de corpos, gestos, esculturas, histórias e memórias.

É nesse encontro entre arte e patrimônio que a mostra ganha força.

De Teresa de Benguela às mestras da capoeira

A presença de Teresa de Benguela amplia ainda mais o alcance simbólico da exposição.

Sua trajetória está associada à resistência de comunidades negras e indígenas no Brasil colonial. Ao aproximá-la das figuras de Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja, a exposição cria uma linha de continuidade entre diferentes experiências de liderança e resistência negra.

Não significa dizer que essas histórias são iguais.

Significa reconhecer que existe uma memória de resistência feminina negra que atravessa gerações.

E a arte permite que essa conexão seja percebida de maneira concreta.

O MAFRO como lugar de memória

A realização da exposição no MAFRO-UFBA acrescenta uma camada importante à proposta.

O Museu Afro-Brasileiro da UFBA tem como missão preservar, pesquisar e difundir referências relacionadas às culturas africanas e afro-brasileiras. Nesse ambiente, discutir a presença das mulheres negras na capoeira significa aproximar patrimônio, arte, história e experiência contemporânea.

O museu passa a funcionar não apenas como lugar onde objetos são preservados, mas como espaço onde memórias são revisitadas e novas narrativas podem ser construídas.

E isso é especialmente relevante para histórias que durante muito tempo tiveram pouca presença nos registros oficiais.

Uma exposição para além da inauguração

A abertura aconteceu em 14 de agosto de 2026, mas a importância da mostra não termina na cerimônia.

Agora começa outra etapa: a aproximação do público com as obras.

Conhecer os bustos, observar os detalhes das esculturas e compreender as histórias das mulheres homenageadas é também uma forma de participar dessa construção de memória.

A exposição convida o visitante a olhar para a capoeira por outro ângulo.

Não apenas como jogo; Não apenas como dança; Não apenas como luta.

Mas como patrimônio vivo e território de conhecimento.

Por que essa exposição importa?

Porque visibilidade não é apenas aparecer.

Visibilidade também significa ser reconhecida como autora da própria história.

Quando mulheres negras ocupam museus, pesquisas, exposições, rodas e espaços de decisão, novas referências passam a existir para as próximas gerações.

Meninas negras que entram em contato com essas histórias encontram algo poderoso: a possibilidade de enxergar mulheres negras não apenas como personagens do passado, mas como mestras, artistas, pesquisadoras, lideranças e produtoras de conhecimento.

Essa mudança de perspectiva é uma das maiores contribuições que uma exposição pode oferecer.

Objetivo Maior: colocar as mulheres no centro também é preservar a capoeira

A história da capoeira não cabe em uma única narrativa.

Ela foi construída por muitos corpos, muitas vozes e muitas gerações.

Mas algumas dessas vozes foram menos registradas, menos reconhecidas e menos celebradas.

Por isso, uma exposição dedicada às memórias de mulheres negras na capoeira não deve ser vista como um complemento à história.

Ela é parte da própria história.

Teresa de Benguela, Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja representam momentos e trajetórias diferentes, mas ajudam a lembrar uma mesma verdade: mulheres negras nunca estiveram ausentes da construção da resistência.

O que muitas vezes faltou foi espaço para que suas histórias fossem vistas.

Agora, elas ocupam o museu; Ocupam a escultura; Ocupam a memória. E ocupam o centro da roda.

Conhecer essa exposição é mais do que visitar obras de arte. É reconhecer quem também construiu a história da capoeira — e garantir que essas memórias continuem sendo transmitidas.

Serviço

Exposição: “Memórias de Mulheres Negras na Capoeira: Visibilidade, Luta e Protagonismo em Jogo”
Local: Museu Afro-Brasileiro — MAFRO/UFBA, Centro Histórico de Salvador
Abertura: 14 de agosto de 2026, às 17h
Artistas/proponentes do projeto: Ábia França, Gandaia e Mestra Voltagrande
Homenageadas: Teresa de Benguela, Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja
Esculturas: Gandaia

Para acompanhar informações e registros da exposição, o perfil oficial do MAFRO-UFBA é o canal indicado pelo museu nas redes sociais.

Para informações atualizadas sobre visitação, programação e atividades, consulte os canais oficiais do MAFRO/UFBA  | MAFRO - Museu Afro-Brasileiro Largo do Terreiro de Jesus s/n, Prédio da Faculdade de Medicina da Bahia CEP: 40026-010 Centro Histórico Salvador-BA, Brasil Telefone/Fax: +55 (71)3283-5540 Email: mafro@ufba.br.

Fontes 

  • MAFRO/UFBA — Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia

  • UFBA — Portal de Programas de Pós-Graduação, com pesquisa sobre trajetória e protagonismo de mulheres na capoeira. (SIGAA UFBA)

  • Repositório Institucional da UFBA, com pesquisas acadêmicas sobre mulheres negras e Capoeira Angola. (Repositório UFBA)

  • Revista Feminismos — UFBA, artigo sobre capoeira, ancestralidade, memória e mulheres negras. (Periódicos UFBA)

  • Instagram oficial do MAFRO-UFBA: @mafroufba

MAFRO-UFBA mantém programação com destaque para a presença das mulheres na exposição “Máfricas”

 Mostra de longa duração propõe um olhar decolonizador sobre as Áfricas e coloca as mulheres no centro de uma narrativa sobre cultura, memória e identidade. Aprecie enquanto está na cidade a sua disposição.

Em Salvador, falar sobre a presença africana é também falar sobre memória, resistência e protagonismo. É nesse território que o Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (MAFRO/UFBA) mantém a exposição “Máfricas: as Áfricas do MAFRO”, uma mostra de longa duração que propõe novas formas de olhar para a história e para as culturas africanas.

Presença das mulheres na exposição “Máfricas”

Agência: O Dobrão Online,Segunda-feira,12h.

Inaugurada em 2018, a exposição foi concebida para requalificar o setor África do museu e apresenta parte da Coleção Africana do MAFRO. Segundo o próprio museu, a mostra está organizada em quatro núcleos temáticos: as doze primeiras peças, linguagens, mulheres e afrofuturismo. A presença das mulheres, portanto, não aparece como elemento secundário, mas como um dos eixos estruturantes da narrativa. (Mafro)

Artigo completo:

Mulheres não são detalhe. São parte da história

A escolha de dedicar um núcleo específico às mulheres amplia o debate sobre como as sociedades africanas são representadas dentro dos museus.

Durante muito tempo, narrativas sobre África foram construídas a partir de perspectivas externas, frequentemente reduzindo o continente a imagens de exotismo, conflito ou ancestralidade estática. “Máfricas” segue outra direção ao propor, nas palavras do próprio MAFRO, “um olhar decolonizador sobre África”. (Mafro)

Nesse contexto, colocar as mulheres em evidência significa reconhecer seus papéis na produção de conhecimento, na transmissão de saberes, nas práticas religiosas, nas linguagens, nas relações sociais e na construção das identidades africanas e afro-diaspóricas.

A discussão também dialoga com pesquisas desenvolvidas na própria UFBA. O MAFRO disponibiliza estudo acadêmico dedicado à representação das mulheres negras nos museus de Salvador, mostrando como as instituições museológicas também participam da construção de imagens e narrativas sobre gênero e raça. (Mafro)

Uma coleção que atravessa o Atlântico

Outro ponto importante da exposição é a origem de parte do acervo apresentado.

O MAFRO informa que sua coleção é formada, de maneira geral, por dois grandes conjuntos: Africana e Afro-Brasileira. Em “Máfricas”, são apresentadas peças da Coleção Africana recolhidas por Pierre Fatumbi Verger em países da África Ocidental entre 1974 e 1975. (Mafro)

Entre os objetos estão peças relacionadas às artes, à religião, às linguagens e aos saberes. O museu explica que, durante uma viagem à Nigéria e ao Benim, Verger adquiriu 254 objetos destinados ao acervo, muitos deles ligados às tradições culturais que seriam posteriormente representadas no museu. (Mafro)

Há ainda um detalhe que ajuda a compreender a complexidade dessa coleção: as doze primeiras peças do MAFRO são cópias de objetos provenientes da atual República Democrática do Congo, doadas pelo Museu Real da África Central, em Tervuren, na Bélgica. (Mafro)

Ou seja, a exposição não apresenta apenas objetos. Ela apresenta trajetórias, deslocamentos e relações históricas entre África, Europa e Brasil.

Da peça ao protagonismo

É justamente aí que a presença das mulheres ganha força editorial.

Uma exposição museológica não é apenas uma reunião de objetos. A seleção, a organização e os textos que acompanham as peças ajudam a definir quais histórias serão contadas e de que maneira serão contadas.

“Máfricas” foi criada a partir de uma perspectiva que busca requalificar a narrativa sobre o continente africano. O projeto conceitual e curatorial é da museóloga Graça Teixeira, e a exposição contou com textos produzidos por pesquisadores convidados, entre eles Joana Flores, Juipurema Sandes, Henrique Freitas, Joseania Freitas e Thiara Matos. (Mafro)

Essa construção coletiva reforça uma mudança importante: falar de África não deve significar apenas falar sobre África, mas criar condições para que diferentes sujeitos, saberes e perspectivas façam parte da narrativa.

O museu como espaço de disputa de memória

A atuação do MAFRO vai além da exposição.

A instituição se apresenta como espaço de investigação, ensino e extensão ligado à Museologia da UFBA. Também desenvolve ações relacionadas à pesquisa, exposições temporárias, atividades educativas e difusão de informações provenientes de seu acervo. (Mafro)

Essa atuação transforma o museu em um espaço estratégico para discutir identidade, patrimônio e representação.

Em uma cidade como Salvador, cuja história está profundamente ligada à presença africana e afro-brasileira, essa responsabilidade ganha uma dimensão ainda maior. O museu não apenas preserva objetos: ajuda a produzir novas possibilidades de leitura sobre aquilo que a sociedade escolhe lembrar.

Por que olhar para as mulheres importa?

Porque nenhuma narrativa sobre África pode ser completa quando metade de seus protagonistas é colocada em segundo plano.

Ao reservar um dos quatro núcleos de “Máfricas” às mulheres, o MAFRO contribui para deslocar o olhar tradicional e ampliar a compreensão sobre as experiências femininas em diferentes contextos africanos.

Mais do que representar mulheres, a questão é reconhecer agência: mulheres que produzem, criam, preservam, transformam, lideram, ensinam e participam ativamente da construção de suas comunidades e culturas.

Essa perspectiva também ajuda o público brasileiro a compreender que a história da diáspora africana não pode ser contada sem considerar os protagonismos femininos que atravessaram o Atlântico e ajudaram a formar a sociedade brasileira.

Uma exposição que continua provocando perguntas

“Máfricas: as Áfricas do MAFRO” foi inaugurada em setembro de 2018 e permanece apresentada pelo museu entre suas exposições de longa duração. A proposta continua relevante justamente porque não entrega uma visão única ou definitiva sobre África: ela convida o visitante a reconsiderar aquilo que já pensa saber. (Mafro)

Ao colocar mulheres, linguagens e afrofuturismo ao lado da história das primeiras peças do acervo, a exposição constrói uma narrativa que conecta passado, presente e futuro.

E talvez esteja aí sua principal força.

“Máfricas” lembra que preservar memória também é disputar o direito de contar a própria história. E, nessa história, as mulheres não ocupam as margens: elas também estão no centro.

Serviço

O MAFRO/UFBA está localizado no Largo do Terreiro de Jesus, s/n, Prédio da Faculdade de Medicina da Bahia, Centro Histórico de Salvador.

A página institucional do museu informa visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, para a exposição “MÁFRICAS – As Áfricas do MAFRO”. (Mafro)

Para informações atualizadas sobre visitação, programação e atividades, consulte os canais oficiais do MAFRO/UFBA  | MAFRO - Museu Afro-Brasileiro Largo do Terreiro de Jesus s/n, Prédio da Faculdade de Medicina da Bahia CEP: 40026-010 Centro Histórico Salvador-BA, Brasil Telefone/Fax: +55 (71)3283-5540 Email: mafro@ufba.br.

Fontes institucionais: Museu Afro-Brasileiro da UFBA e Universidade Federal da Bahia.

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