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Memória

"A memória, na qual cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir ao presente e ao futuro. Devemos trabalhar de forma que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens."

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Reflexões - Ru Aisó

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"Sabido: os negros, as senzalas, o candomblé e a capoeira não eram e nem viviam separados. Até porque esta era a realidade.” - Ru Aisó.

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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Agenda de capoeira em Salvador: tradição, disputa e ancestralidade movimentam a cidade 2026.2

Capital baiana mantém a capoeira no centro da programação cultural, com rodas, encontros e competições que conectam tradição, memória e novas gerações

Salvador não apenas recebe a capoeira. A cidade é um dos territórios fundamentais para entender a história, a resistência e a transformação dessa manifestação cultural brasileira.

Em agosto de 2026, essa relação volta a ganhar força com uma agenda que reúne rodas, atividades formativas e competições. Entre os destaques está o Red Bull Paranauê 2026, marcado para 29 de agosto, na Praça da Cruz Caída, no Centro Histórico, com entrada gratuita. A programação oficial de turismo de Salvador também já lista o evento na agenda da cidade. (Salvador da Bahia)


Agência, O Dobrão Online,

A capoeira ocupa o Centro Histórico

No dia 29 de agosto, Salvador recebe a quinta edição do Red Bull Paranauê. A competição começa às 13h, na Praça da Cruz Caída, na Praça da Sé, e tem acesso gratuito. (Alô Alô Bahia)

O evento reunirá 16 capoeiristas, distribuídos entre as categorias feminina e masculina. O diferencial está justamente na variedade: os participantes precisam demonstrar domínio de três vertentes da capoeira — Angola, Regional e Contemporânea. (Alô Alô Bahia)

Antes de cada confronto, uma roleta define o toque do berimbau e, consequentemente, o estilo que deverá conduzir o jogo.

Não é apenas competição.

É técnica, improviso, musicalidade e capacidade de adaptação colocados no mesmo espaço.

Três estilos, uma mesma raiz

A diversidade de estilos ajuda a mostrar que a capoeira não é uma prática congelada no passado.

A Capoeira Angola, a Regional e a Contemporânea possuem características e trajetórias próprias, mas compartilham uma mesma base cultural construída a partir da ancestralidade afro-brasileira.

No Paranauê, essa diversidade deixa de ser apenas conceito e vira parte da dinâmica da disputa: o capoeirista precisa responder ao toque escolhido e adaptar seu jogo. (Alô Alô Bahia)

É uma metáfora interessante para a própria história da capoeira.

Ela mudou.

Se reinventou.

Atravessou gerações.

E continua em movimento.

Mulheres também ocupam a roda

Um dos pontos relevantes da programação é a presença das categorias feminina e masculina.

A participação das mulheres ajuda a romper uma visão historicamente associada à capoeira como espaço predominantemente masculino. No evento, elas aparecem como competidoras e também ocupam posições de referência e autoridade dentro da organização.

A arbitragem, por exemplo, inclui a Mestra Nani, representante da Capoeira Angola. A curadoria é do Mestre Sabiá, enquanto outros mestres representam diferentes tradições da modalidade. (Alô Alô Bahia)

Esse movimento importa porque a preservação da capoeira passa também pelo reconhecimento de quem mantém seus saberes vivos.

O Rede Capoeira amplia essa agenda

Antes do Paranauê, Salvador já recebeu, entre 6 e 8 de agosto, a oitava edição do Rede Capoeira, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM).

Com programação gratuita, o festival reuniu oficinas, rodas, debates, apresentações e vivências relacionadas à capoeira e a outras manifestações da cultura popular. (Rede Capoeira)

A programação incluiu uma roda de Capoeira Regional com Mestre Nenel e Mestra Nalvinha, painel sobre capoeira na infância, aula de capoeira infantil e uma aula e roda com Mestre João Grande. (Rede Capoeira)

No sábado, 8 de agosto, a programação ainda contou com uma roda com os chamados Heróis Populares e uma roda de encerramento. (Rede Capoeira)

O festival mostrou que a agenda da capoeira não precisa se limitar ao espetáculo.

Ela pode ser também espaço de formação, pesquisa, transmissão de conhecimento e diálogo entre gerações.

Mais que esporte: patrimônio e identidade

A capoeira foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil, além de ter sido reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Esse reconhecimento ajuda a explicar por que eventos dedicados à modalidade ultrapassam a dimensão esportiva.

Uma roda carrega música.

Carrega oralidade.

Carrega memória.

Carrega movimento.

E carrega uma história de resistência da população negra no Brasil.

Por isso, colocar a capoeira na agenda cultural de Salvador significa também colocar em evidência uma parte fundamental da identidade da cidade.

Salvador como território da capoeira

O próprio cenário dos eventos reforça essa relação.

Praça da Cruz Caída, Centro Histórico, Pelourinho e outros espaços de Salvador não funcionam apenas como cartões-postais. São territórios onde manifestações da cultura afro-brasileira continuam sendo praticadas e ressignificadas.

A escolha da Praça da Cruz Caída para o Paranauê tem ainda um peso simbólico: o espaço é associado a registros históricos de competições de capoeira e, desde 2024, passou a receber o evento. (Alô Alô Bahia)

A cidade, nesse sentido, deixa de ser cenário.

Ela passa a fazer parte da narrativa.

Uma agenda que merece ser acompanhada

Para quem acompanha a capoeira, agosto de 2026 mostra uma Salvador movimentada por diferentes formatos de encontro.

Há competição.

Há roda.

Há aula.

Há debate.

Há transmissão de conhecimento.

E há espaço para crianças, mestres, mestras, pesquisadores, artistas e público.

O calendário disponível no portal Agenda Capoeira também registra diversos encontros e atividades relacionados à modalidade ao longo de agosto, embora seja importante confirmar diretamente com cada organização os detalhes de eventos comunitários antes de se deslocar. (Agenda Capoeira)

Essa diversidade é talvez o melhor retrato da capoeira contemporânea.

Ela preserva a tradição sem deixar de criar novas possibilidades.

Serviço — próximos destaques

Red Bull Paranauê 2026
📅 29 de agosto de 2026
A partir das 13h
📍 Praça da Cruz Caída — Praça da Sé, Centro Histórico de Salvador
🎟️ Entrada gratuita
🥋 Categorias feminina e masculina
🎶 Capoeira Angola, Regional e Contemporânea

Para acompanhar atualizações da agenda cultural da cidade, o portal oficial Salvador da Bahia mantém uma agenda de eventos e programação cultural. (Salvador da Bahia)

Salvador não precisa procurar a capoeira para encontrá-la.

Ela está nas rodas, nos mestres e mestras, nas crianças que aprendem os primeiros movimentos, no som do berimbau e nos espaços onde a tradição continua sendo transmitida.

Uma agenda de capoeira é, portanto, muito mais do que uma lista de eventos.

É um registro de que uma cultura historicamente perseguida continua ocupando as ruas, os museus, as praças e os palcos.

E talvez essa seja a maior força da capoeira:

ela não apenas sobrevive ao tempo. Ela ensina o tempo a se movimentar.

Fontes

SALVADOR | Memória, arte e resistência: MAFRO-UFBA destaca o protagonismo de mulheres negras na capoeira

Exposição “Memórias de Mulheres Negras na Capoeira: Visibilidade, Luta e Protagonismo em Jogo” transforma o museu em espaço de reconhecimento, ancestralidade e afirmação

O Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (MAFRO-UFBA) abriu espaço para uma discussão que há muito tempo ultrapassa os limites da roda de capoeira: quem são as mulheres negras que construíram, sustentaram e transformaram essa tradição?

A resposta ganha forma na exposição “Memórias de Mulheres Negras na Capoeira: Visibilidade, Luta e Protagonismo em Jogo”, apresentada no Centro Histórico de Salvador.

Exposição “Memórias de Mulheres Negras na Capoeira


Agência: O Dobrão Online,Segunda-feira,13h.

A mostra nasceu de um projeto idealizado pelas capoeiristas Ábia França, Gandaia e Mestra Voltagrande e coloca em evidência trajetórias femininas que ajudam a compreender a capoeira também como território de memória, resistência e disputa por reconhecimento.

A abertura ocorreu em 14 de agosto de 2026, no MAFRO-UFBA. Agora, mais do que registrar a cerimônia de inauguração, o convite é para conhecer as obras e o espaço e perceber o que essa exposição coloca em jogo: a necessidade de reconhecer mulheres negras como protagonistas de suas próprias histórias.

Três mulheres, três memórias, uma narrativa de resistência

A exposição homenageia Teresa de Benguela, Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja, representadas por bustos escultóricos produzidos pela artista e professora Gandaia.

A escolha dessas referências não é casual.

Teresa de Benguela tornou-se símbolo de resistência negra e liderança quilombola. Já Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja integram a memória e a trajetória da capoeira construída por mulheres negras.

Ao colocar essas figuras lado a lado, a exposição cria uma ponte entre diferentes tempos históricos.

Ancestralidade, memória e presente passam a conversar no mesmo espaço.

É uma escolha especialmente significativa em Salvador, cidade profundamente marcada pelas culturas africanas e afro-brasileiras e pela presença histórica da capoeira.

O busto como instrumento de memória

Transformar essas personagens em esculturas também significa enfrentar uma questão fundamental: quem merece ser lembrado e representado nos espaços culturais?

O busto tradicionalmente está associado à preservação da memória de personalidades consideradas importantes. Ao utilizar essa linguagem para homenagear mulheres negras ligadas à resistência e à capoeira, a artista Gandaia contribui para deslocar o centro dessa representação.

Não se trata apenas de criar retratos.

Trata-se de materializar memórias.

A escultura torna visível aquilo que muitas vezes permanece registrado apenas na oralidade, nas experiências pessoais, nos ensinamentos transmitidos entre gerações e nos corpos que continuam praticando a capoeira.

Mulheres negras já estavam na história da capoeira

A exposição também dialoga diretamente com uma questão identificada por pesquisas realizadas na própria Universidade Federal da Bahia.

Estudo acadêmico desenvolvido na UFBA sobre trajetórias e protagonismo de mulheres na capoeira aponta que, embora a presença feminina seja significativa, ainda existem desigualdades relacionadas ao reconhecimento e à ocupação de posições de poder dentro desse universo. (SIGAA UFBA)

Isso muda a forma de olhar para a exposição.

Ela não está simplesmente “incluindo” mulheres em uma história pronta.

Está ajudando a questionar uma narrativa que muitas vezes não deu às mulheres negras o mesmo espaço de visibilidade e autoridade.

A roda também é um espaço de disputa

A capoeira é feita de movimento, música, ritual, corpo e convivência. Mas também envolve relações sociais e disputas por reconhecimento.

Pesquisas da UFBA sobre mulheres negras na capoeira angola mostram justamente como suas trajetórias estão relacionadas a questões de gênero, raça, memória e poder. Um trabalho publicado em material acadêmico da universidade destaca a importância de mulheres negras assumirem espaços de protagonismo e registrarem suas próprias narrativas dentro da capoeira. (Proex UFBA)

Essa perspectiva é fundamental para compreender o título da exposição.

“Visibilidade, Luta e Protagonismo em Jogo” não é apenas um nome. É uma declaração.

A roda deixa de ser observada somente como prática cultural e passa a ser entendida também como espaço onde identidades, memórias e relações de poder são construídas.

O corpo como arquivo

Existe outra dimensão importante nessa discussão: o corpo.

Na capoeira, o corpo guarda conhecimento.

A ginga ensina.

O gesto comunica.

O ritmo transmite.

A roda preserva.

Pesquisas produzidas na UFBA sobre mulheres negras e Capoeira Angola discutem justamente a ideia do corpo como território de memória e como espaço capaz de carregar experiências, ancestralidades e formas de resistência. (Repositório UFBA)

Por isso, uma exposição sobre mulheres negras na capoeira não precisa falar apenas de documentos escritos.

Ela pode falar de corpos, gestos, esculturas, histórias e memórias.

É nesse encontro entre arte e patrimônio que a mostra ganha força.

De Teresa de Benguela às mestras da capoeira

A presença de Teresa de Benguela amplia ainda mais o alcance simbólico da exposição.

Sua trajetória está associada à resistência de comunidades negras e indígenas no Brasil colonial. Ao aproximá-la das figuras de Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja, a exposição cria uma linha de continuidade entre diferentes experiências de liderança e resistência negra.

Não significa dizer que essas histórias são iguais.

Significa reconhecer que existe uma memória de resistência feminina negra que atravessa gerações.

E a arte permite que essa conexão seja percebida de maneira concreta.

O MAFRO como lugar de memória

A realização da exposição no MAFRO-UFBA acrescenta uma camada importante à proposta.

O Museu Afro-Brasileiro da UFBA tem como missão preservar, pesquisar e difundir referências relacionadas às culturas africanas e afro-brasileiras. Nesse ambiente, discutir a presença das mulheres negras na capoeira significa aproximar patrimônio, arte, história e experiência contemporânea.

O museu passa a funcionar não apenas como lugar onde objetos são preservados, mas como espaço onde memórias são revisitadas e novas narrativas podem ser construídas.

E isso é especialmente relevante para histórias que durante muito tempo tiveram pouca presença nos registros oficiais.

Uma exposição para além da inauguração

A abertura aconteceu em 14 de agosto de 2026, mas a importância da mostra não termina na cerimônia.

Agora começa outra etapa: a aproximação do público com as obras.

Conhecer os bustos, observar os detalhes das esculturas e compreender as histórias das mulheres homenageadas é também uma forma de participar dessa construção de memória.

A exposição convida o visitante a olhar para a capoeira por outro ângulo.

Não apenas como jogo; Não apenas como dança; Não apenas como luta.

Mas como patrimônio vivo e território de conhecimento.

Por que essa exposição importa?

Porque visibilidade não é apenas aparecer.

Visibilidade também significa ser reconhecida como autora da própria história.

Quando mulheres negras ocupam museus, pesquisas, exposições, rodas e espaços de decisão, novas referências passam a existir para as próximas gerações.

Meninas negras que entram em contato com essas histórias encontram algo poderoso: a possibilidade de enxergar mulheres negras não apenas como personagens do passado, mas como mestras, artistas, pesquisadoras, lideranças e produtoras de conhecimento.

Essa mudança de perspectiva é uma das maiores contribuições que uma exposição pode oferecer.

Objetivo Maior: colocar as mulheres no centro também é preservar a capoeira

A história da capoeira não cabe em uma única narrativa.

Ela foi construída por muitos corpos, muitas vozes e muitas gerações.

Mas algumas dessas vozes foram menos registradas, menos reconhecidas e menos celebradas.

Por isso, uma exposição dedicada às memórias de mulheres negras na capoeira não deve ser vista como um complemento à história.

Ela é parte da própria história.

Teresa de Benguela, Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja representam momentos e trajetórias diferentes, mas ajudam a lembrar uma mesma verdade: mulheres negras nunca estiveram ausentes da construção da resistência.

O que muitas vezes faltou foi espaço para que suas histórias fossem vistas.

Agora, elas ocupam o museu; Ocupam a escultura; Ocupam a memória. E ocupam o centro da roda.

Conhecer essa exposição é mais do que visitar obras de arte. É reconhecer quem também construiu a história da capoeira — e garantir que essas memórias continuem sendo transmitidas.

Serviço

Exposição: “Memórias de Mulheres Negras na Capoeira: Visibilidade, Luta e Protagonismo em Jogo”
Local: Museu Afro-Brasileiro — MAFRO/UFBA, Centro Histórico de Salvador
Abertura: 14 de agosto de 2026, às 17h
Artistas/proponentes do projeto: Ábia França, Gandaia e Mestra Voltagrande
Homenageadas: Teresa de Benguela, Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Janja
Esculturas: Gandaia

Para acompanhar informações e registros da exposição, o perfil oficial do MAFRO-UFBA é o canal indicado pelo museu nas redes sociais.

Para informações atualizadas sobre visitação, programação e atividades, consulte os canais oficiais do MAFRO/UFBA  | MAFRO - Museu Afro-Brasileiro Largo do Terreiro de Jesus s/n, Prédio da Faculdade de Medicina da Bahia CEP: 40026-010 Centro Histórico Salvador-BA, Brasil Telefone/Fax: +55 (71)3283-5540 Email: mafro@ufba.br.

Fontes 

  • MAFRO/UFBA — Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia

  • UFBA — Portal de Programas de Pós-Graduação, com pesquisa sobre trajetória e protagonismo de mulheres na capoeira. (SIGAA UFBA)

  • Repositório Institucional da UFBA, com pesquisas acadêmicas sobre mulheres negras e Capoeira Angola. (Repositório UFBA)

  • Revista Feminismos — UFBA, artigo sobre capoeira, ancestralidade, memória e mulheres negras. (Periódicos UFBA)

  • Instagram oficial do MAFRO-UFBA: @mafroufba

MAFRO-UFBA mantém programação com destaque para a presença das mulheres na exposição “Máfricas”

 Mostra de longa duração propõe um olhar decolonizador sobre as Áfricas e coloca as mulheres no centro de uma narrativa sobre cultura, memória e identidade. Aprecie enquanto está na cidade a sua disposição.

Em Salvador, falar sobre a presença africana é também falar sobre memória, resistência e protagonismo. É nesse território que o Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (MAFRO/UFBA) mantém a exposição “Máfricas: as Áfricas do MAFRO”, uma mostra de longa duração que propõe novas formas de olhar para a história e para as culturas africanas.

Presença das mulheres na exposição “Máfricas”

Agência: O Dobrão Online,Segunda-feira,12h.

Inaugurada em 2018, a exposição foi concebida para requalificar o setor África do museu e apresenta parte da Coleção Africana do MAFRO. Segundo o próprio museu, a mostra está organizada em quatro núcleos temáticos: as doze primeiras peças, linguagens, mulheres e afrofuturismo. A presença das mulheres, portanto, não aparece como elemento secundário, mas como um dos eixos estruturantes da narrativa. (Mafro)

Artigo completo:

Mulheres não são detalhe. São parte da história

A escolha de dedicar um núcleo específico às mulheres amplia o debate sobre como as sociedades africanas são representadas dentro dos museus.

Durante muito tempo, narrativas sobre África foram construídas a partir de perspectivas externas, frequentemente reduzindo o continente a imagens de exotismo, conflito ou ancestralidade estática. “Máfricas” segue outra direção ao propor, nas palavras do próprio MAFRO, “um olhar decolonizador sobre África”. (Mafro)

Nesse contexto, colocar as mulheres em evidência significa reconhecer seus papéis na produção de conhecimento, na transmissão de saberes, nas práticas religiosas, nas linguagens, nas relações sociais e na construção das identidades africanas e afro-diaspóricas.

A discussão também dialoga com pesquisas desenvolvidas na própria UFBA. O MAFRO disponibiliza estudo acadêmico dedicado à representação das mulheres negras nos museus de Salvador, mostrando como as instituições museológicas também participam da construção de imagens e narrativas sobre gênero e raça. (Mafro)

Uma coleção que atravessa o Atlântico

Outro ponto importante da exposição é a origem de parte do acervo apresentado.

O MAFRO informa que sua coleção é formada, de maneira geral, por dois grandes conjuntos: Africana e Afro-Brasileira. Em “Máfricas”, são apresentadas peças da Coleção Africana recolhidas por Pierre Fatumbi Verger em países da África Ocidental entre 1974 e 1975. (Mafro)

Entre os objetos estão peças relacionadas às artes, à religião, às linguagens e aos saberes. O museu explica que, durante uma viagem à Nigéria e ao Benim, Verger adquiriu 254 objetos destinados ao acervo, muitos deles ligados às tradições culturais que seriam posteriormente representadas no museu. (Mafro)

Há ainda um detalhe que ajuda a compreender a complexidade dessa coleção: as doze primeiras peças do MAFRO são cópias de objetos provenientes da atual República Democrática do Congo, doadas pelo Museu Real da África Central, em Tervuren, na Bélgica. (Mafro)

Ou seja, a exposição não apresenta apenas objetos. Ela apresenta trajetórias, deslocamentos e relações históricas entre África, Europa e Brasil.

Da peça ao protagonismo

É justamente aí que a presença das mulheres ganha força editorial.

Uma exposição museológica não é apenas uma reunião de objetos. A seleção, a organização e os textos que acompanham as peças ajudam a definir quais histórias serão contadas e de que maneira serão contadas.

“Máfricas” foi criada a partir de uma perspectiva que busca requalificar a narrativa sobre o continente africano. O projeto conceitual e curatorial é da museóloga Graça Teixeira, e a exposição contou com textos produzidos por pesquisadores convidados, entre eles Joana Flores, Juipurema Sandes, Henrique Freitas, Joseania Freitas e Thiara Matos. (Mafro)

Essa construção coletiva reforça uma mudança importante: falar de África não deve significar apenas falar sobre África, mas criar condições para que diferentes sujeitos, saberes e perspectivas façam parte da narrativa.

O museu como espaço de disputa de memória

A atuação do MAFRO vai além da exposição.

A instituição se apresenta como espaço de investigação, ensino e extensão ligado à Museologia da UFBA. Também desenvolve ações relacionadas à pesquisa, exposições temporárias, atividades educativas e difusão de informações provenientes de seu acervo. (Mafro)

Essa atuação transforma o museu em um espaço estratégico para discutir identidade, patrimônio e representação.

Em uma cidade como Salvador, cuja história está profundamente ligada à presença africana e afro-brasileira, essa responsabilidade ganha uma dimensão ainda maior. O museu não apenas preserva objetos: ajuda a produzir novas possibilidades de leitura sobre aquilo que a sociedade escolhe lembrar.

Por que olhar para as mulheres importa?

Porque nenhuma narrativa sobre África pode ser completa quando metade de seus protagonistas é colocada em segundo plano.

Ao reservar um dos quatro núcleos de “Máfricas” às mulheres, o MAFRO contribui para deslocar o olhar tradicional e ampliar a compreensão sobre as experiências femininas em diferentes contextos africanos.

Mais do que representar mulheres, a questão é reconhecer agência: mulheres que produzem, criam, preservam, transformam, lideram, ensinam e participam ativamente da construção de suas comunidades e culturas.

Essa perspectiva também ajuda o público brasileiro a compreender que a história da diáspora africana não pode ser contada sem considerar os protagonismos femininos que atravessaram o Atlântico e ajudaram a formar a sociedade brasileira.

Uma exposição que continua provocando perguntas

“Máfricas: as Áfricas do MAFRO” foi inaugurada em setembro de 2018 e permanece apresentada pelo museu entre suas exposições de longa duração. A proposta continua relevante justamente porque não entrega uma visão única ou definitiva sobre África: ela convida o visitante a reconsiderar aquilo que já pensa saber. (Mafro)

Ao colocar mulheres, linguagens e afrofuturismo ao lado da história das primeiras peças do acervo, a exposição constrói uma narrativa que conecta passado, presente e futuro.

E talvez esteja aí sua principal força.

“Máfricas” lembra que preservar memória também é disputar o direito de contar a própria história. E, nessa história, as mulheres não ocupam as margens: elas também estão no centro.

Serviço

O MAFRO/UFBA está localizado no Largo do Terreiro de Jesus, s/n, Prédio da Faculdade de Medicina da Bahia, Centro Histórico de Salvador.

A página institucional do museu informa visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, para a exposição “MÁFRICAS – As Áfricas do MAFRO”. (Mafro)

Para informações atualizadas sobre visitação, programação e atividades, consulte os canais oficiais do MAFRO/UFBA  | MAFRO - Museu Afro-Brasileiro Largo do Terreiro de Jesus s/n, Prédio da Faculdade de Medicina da Bahia CEP: 40026-010 Centro Histórico Salvador-BA, Brasil Telefone/Fax: +55 (71)3283-5540 Email: mafro@ufba.br.

Fontes institucionais: Museu Afro-Brasileiro da UFBA e Universidade Federal da Bahia.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Capoeira emagrece? Entenda como essa arte pode ajudar na perda de peso

 Agência O Dobrão Online | 16 de Julho de 2026

Quando alguém pergunta se capoeira emagrece, a resposta mais correta é: sim, ela pode contribuir para o emagrecimento, desde que faça parte de um estilo de vida saudável.

Muito além de uma luta ou manifestação cultural, a capoeira reúne movimentos intensos, trabalho cardiovascular, força muscular, equilíbrio e coordenação. Essa combinação faz com que a prática tenha um gasto energético significativo, além de oferecer benefícios físicos e mentais.


Neste artigo, você vai entender o que dizem especialistas e pesquisas sobre o assunto.

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Capoeira emagrece mesmo?

Sim.

A capoeira pode ajudar no emagrecimento porque aumenta o gasto calórico durante o treino. Como qualquer atividade física, a perda de peso acontece quando existe um déficit calórico, ou seja, quando o corpo gasta mais energia do que consome.

Em uma aula de intensidade moderada a alta, uma pessoa pode gastar entre 400 e 700 calorias por hora, dependendo de fatores como:

  • Peso corporal;
  • Intensidade do treino;
  • Idade;
  • Condicionamento físico;
  • Tempo de prática.

Quanto mais intenso o treino, maior tende a ser o gasto energético.


Por que a capoeira é eficiente para perder peso?

Diferente de exercícios repetitivos, a capoeira trabalha praticamente o corpo inteiro.

Durante uma aula são executados movimentos como:

  • ginga;
  • esquivas;
  • chutes;
  • acrobacias;
  • deslocamentos rápidos;
  • exercícios de resistência.

Isso faz com que diversos grupos musculares sejam ativados ao mesmo tempo.

Entre eles:

  • pernas;
  • abdômen;
  • costas;
  • glúteos;
  • ombros;
  • braços.

Quanto maior o recrutamento muscular, maior também costuma ser o consumo de energia.

Além do emagrecimento, quais são os benefícios?

Quem pratica capoeira regularmente costuma perceber mudanças que vão muito além da balança.

Entre os principais benefícios estão:

Melhora do condicionamento físico

O sistema cardiovascular é bastante exigido durante a prática, aumentando resistência e capacidade respiratória.

Ganho de força

Os movimentos utilizam o peso do próprio corpo, funcionando como um treino funcional natural.

Mais mobilidade

A capoeira exige flexibilidade e amplitude de movimento, contribuindo para articulações mais saudáveis.

Coordenação motora

Os movimentos combinam ritmo, equilíbrio e consciência corporal.

Bem-estar mental

A prática libera endorfinas, reduz o estresse e favorece a sensação de bem-estar.

Quantas vezes por semana praticar?

Para quem deseja utilizar a capoeira para emagrecer, muitos profissionais recomendam praticar entre 3 e 5 vezes por semana, respeitando os períodos de descanso.

Os melhores resultados costumam aparecer quando a prática é combinada com:

  • alimentação equilibrada;
  • hidratação adequada;
  • boas noites de sono;
  • acompanhamento profissional, quando necessário.

A alimentação continua sendo importante

Existe um mito bastante comum:

"Se eu fizer capoeira, posso comer qualquer coisa."

Isso não é verdade.

Mesmo gastando muitas calorias durante os treinos, uma alimentação rica em ultraprocessados e excesso de açúcar pode dificultar o emagrecimento.

A combinação entre atividade física e alimentação equilibrada continua sendo a estratégia mais eficiente.

Crianças e idosos também podem praticar?

Sim.

Quando orientada por profissionais qualificados, a capoeira pode ser adaptada para diferentes idades.

Cada turma respeita o nível físico dos participantes, tornando a prática acessível tanto para crianças quanto para adultos e idosos.

O que dizem as instituições de saúde?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos realizem entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física moderada, ou entre 75 e 150 minutos de atividade vigorosa, para melhorar a saúde e reduzir o risco de doenças crônicas.

A capoeira pode contribuir para atingir essas recomendações quando praticada regularmente.

Conclusão

Então, afinal, capoeira emagrece?

Sim, a capoeira pode ser uma excelente aliada na perda de peso porque combina exercícios aeróbicos e fortalecimento muscular em uma atividade dinâmica, divertida e culturalmente rica.

Entretanto, ela não faz milagres sozinha. O emagrecimento depende da soma entre prática regular, alimentação equilibrada, descanso e constância.

Mais importante do que perder peso é ganhar qualidade de vida — e nisso a capoeira se destaca como uma das atividades mais completas.

Perguntas frequentes (FAQ)

Capoeira emagrece a barriga?

Não é possível perder gordura apenas em uma região do corpo. A capoeira ajuda na redução da gordura corporal como um todo quando há déficit calórico.

Quantas calorias uma aula de capoeira gasta?

Dependendo da intensidade e da pessoa, o gasto pode variar aproximadamente entre 400 e 700 kcal por hora.

Iniciante pode fazer capoeira para emagrecer?

Sim. As aulas costumam ser adaptadas para o nível de cada aluno.

Capoeira substitui a academia?

Depende do objetivo. Para condicionamento físico e saúde geral, pode atender muito bem. Para objetivos específicos de hipertrofia máxima, pode ser interessante combinar com treinamento de força.

Perguntas frequentes (FAQ)

Capoeira emagrece a barriga?

Não é possível perder gordura apenas em uma região do corpo. A capoeira ajuda na redução da gordura corporal como um todo quando há déficit calórico.

Quantas calorias uma aula de capoeira gasta?

Dependendo da intensidade e da pessoa, o gasto pode variar aproximadamente entre 400 e 700 kcal por hora.

Iniciante pode fazer capoeira para emagrecer?

Sim. As aulas costumam ser adaptadas para o nível de cada aluno.

Capoeira substitui a academia?

Depende do objetivo. Para condicionamento físico e saúde geral, pode atender muito bem. Para objetivos específicos de hipertrofia máxima, pode ser interessante combinar com treinamento de força.

Fontes confiáveis

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour.
  • American College of Sports Medicine (ACSM). ACSM's Guidelines for Exercise Testing and Prescription. Wolters Kluwer.
  • Compendium of Physical Activities (Universidade do Estado do Arizona). 
  • Ministério da Saúde. Guia de Atividade Física para a População Brasileira.

Does Capoeira Help You Lose Weight? What Science Says About Calories, Fat Loss, and Fitness

 Agência O Dobrão Online | 16 de July, 2026

Does Capoeira Help You Lose Weight? | If you've ever wondered, "Does capoeira help you lose weight?" the short answer is yes—but there's more to the story.

Capoeira is much more than a martial art. It combines cardio, strength training, flexibility, balance, agility, and rhythm into one full-body workout. Because of its dynamic movements, capoeira can burn a significant number of calories while improving overall fitness.

However, like any exercise program, capoeira alone won't magically make you lose weight. Sustainable weight loss happens when regular physical activity is paired with healthy eating and a consistent calorie deficit.

Let's look at what research and health experts say.

Can Capoeira Help You Lose Weight?

Yes.

Capoeira can support weight loss because it increases your daily energy expenditure. Every class requires continuous movement through kicks, dodges, ground transitions, balance work, and explosive bodyweight exercises.

According to the Compendium of Physical Activities, vigorous martial arts and similar activities can require high levels of energy expenditure, making them effective workouts for improving cardiovascular fitness and supporting fat loss.

Most people burn approximately 400 to 700 calories in a one-hour capoeira class, depending on factors like:

  • Body weight

  • Exercise intensity

  • Age

  • Fitness level

  • Experience

  • Length of the workout

The more intensely you train, the more calories your body burns.

Why Is Capoeira So Effective for Burning Calories?

Unlike traditional gym workouts that isolate muscle groups, capoeira challenges your entire body during nearly every movement.

A typical class includes:

  • Ginga (the fundamental movement)

  • Kicks

  • Dodges (Esquivas)

  • Spins

  • Acrobatics

  • Core stabilization

  • Bodyweight strength exercises

This continuous movement keeps your heart rate elevated while activating major muscle groups, including:

  • Legs

  • Glutes

  • Core

  • Back

  • Shoulders

  • Arms

Because multiple muscles work together throughout the workout, your body uses more energy than during many low-intensity activities.

More Than Weight Loss: The Health Benefits of Capoeira

While many people start capoeira to get in shape, they often stay because of its overall health benefits.

Improves Cardiovascular Health

Capoeira raises your heart rate and helps improve endurance, circulation, and lung capacity.

Builds Functional Strength

Most movements rely on bodyweight resistance, helping build practical, real-world strength.

Increases Mobility and Flexibility

The combination of kicks, squats, and flowing transitions improves joint mobility and flexibility over time.

Develops Balance and Coordination

Capoeira requires precise timing, body control, and rhythm, improving overall athletic performance.

Supports Mental Health

Regular physical activity releases endorphins that help reduce stress, improve mood, and boost overall well-being.

How Often Should You Practice Capoeira to Lose Weight?

If your goal is weight loss, most fitness professionals recommend practicing three to five times per week.

For the best results, combine capoeira with:

  • A balanced, nutrient-rich diet

  • Proper hydration

  • Quality sleep

  • Consistent training

  • Strength training (optional but beneficial)

Consistency matters far more than perfection.

Nutrition Is Still the Key

One of the biggest misconceptions is:

"If I practice capoeira, I can eat whatever I want."

Unfortunately, that's not how weight loss works.

Exercise increases calorie expenditure, but excessive calorie intake can quickly offset those gains.

For long-term success, focus on:

  • Eating mostly whole foods

  • Getting enough protein

  • Managing portion sizes

  • Staying hydrated

  • Maintaining a sustainable calorie deficit

Capoeira is a powerful tool—but nutrition remains the foundation of healthy weight loss.

Is Capoeira Good for Beginners?

Absolutely.

One of capoeira's greatest strengths is that it can be adapted for almost any fitness level.

Whether you're a complete beginner, returning to exercise, or already physically active, instructors typically modify movements based on your experience and mobility.

You don't need to be flexible or athletic before starting.

Many practitioners develop those abilities through regular training.

What Do Health Experts Recommend?

The World Health Organization (WHO) recommends adults get:
  • 150–300 minutes of moderate-intensity aerobic activity each week, or

  • 75–150 minutes of vigorous physical activity, plus muscle-strengthening exercises at least twice weekly.

Regular capoeira practice can help meet these recommendations while making exercise more engaging than traditional workouts.

Final Verdict: Does Capoeira Help You Lose Weight?

Yes.

Capoeira can absolutely help you lose weight by increasing calorie burn, improving cardiovascular fitness, building lean muscle, and encouraging an active lifestyle.

Still, no workout alone guarantees weight loss.

The best results come from combining capoeira with healthy eating, consistency, adequate recovery, and long-term lifestyle habits.

If you're looking for a workout that's fun, challenging, culturally rich, and highly effective, capoeira is an excellent choice.

Frequently Asked Questions

Does capoeira burn belly fat?

No exercise specifically burns fat from one area of the body. Capoeira helps reduce overall body fat when combined with a calorie deficit.

How many calories does capoeira burn?

A one-hour class typically burns 400–700 calories, depending on intensity and individual factors.

Is capoeira better than running for weight loss?

Both can support weight loss. Capoeira offers additional benefits like strength, flexibility, coordination, and skill development, while running is generally easier to measure and progress.

Can beginners lose weight with capoeira?

Yes. Beginners often experience noticeable improvements in fitness and calorie expenditure as they learn the fundamentals.

Trusted Sources

World Health Organization. Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour.

American College of Sports Medicine (ACSM). ACSM's Guidelines for Exercise Testing and Prescription.

Ainsworth BE, et al. 2011 Compendium of Physical Activities: A Second Update of Codes and MET Values. Medicine & Science in Sports & Exercise. 

U.S. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Benefits of Physical Activity.

Harvard T.H. Chan School of Public Health. The Nutrition Source. 


sexta-feira, 10 de julho de 2026

Dobrão de Pedra ou de Metal no Berimbau: Qual a Diferença?


O som que nasce dos dedos: dobrão de pedra ou de metal no berimbau?

Por Agência O Dobrão Online | 10 Julho de 2026


O dobrão de berimbau é um dos componentes mais importantes do berimbau. Neste artigo, conheça a história do dobrão de pedra e do dobrão de metal, descubra suas diferenças sonoras e entenda por que a escolha depende da preferência e da técnica de cada capoeirista.

Dobrão de Berimbau (Metal e Pedra/Seixos)

Quem já participou de uma roda de capoeira sabe que o berimbau é muito mais do que um instrumento musical. Ele conduz o ritmo da roda, orienta o jogo e ajuda a criar a atmosfera da capoeira.

Entre seus componentes existe uma peça pequena, mas essencial: o dobrão. Segurado entre os dedos do tocador, ele pressiona o arame para produzir as diferentes notas do berimbau.

Ao longo do tempo, dois materiais se tornaram os mais utilizados: metal e pedra. Ambos cumprem a mesma função, mas oferecem características sonoras e táteis diferentes.

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A origem do dobrão

O nome "dobrão" vem das antigas moedas metálicas que circularam no Brasil durante o período colonial. Com o passar dos anos, capoeiristas passaram a utilizar moedas de cobre ou latão para pressionar o arame do berimbau, e o nome permaneceu mesmo quando outros materiais começaram a ser usados.

Registros históricos mostram que moedas foram amplamente empregadas pelos praticantes de capoeira, principalmente entre o final do século XIX e o século XX, quando eram fáceis de encontrar e possuíam tamanho adequado para o instrumento.

O dobrão de metal

O dobrão metálico continua sendo um dos mais utilizados atualmente.

Seu contato direto com o arame produz um som mais definido, brilhante e com resposta rápida, facilitando mudanças de nota e efeitos característicos do berimbau.

Além da sonoridade, o metal apresenta algumas vantagens:

  • grande durabilidade;

  • formato uniforme;

  • boa resistência ao desgaste;

  • fácil reposição.

Hoje também existem dobrões fabricados especialmente para berimbau, produzidos por artesãos e luthiers, mantendo medidas e acabamento próprios para o instrumento.

O dobrão de pedra

O uso de pedras também faz parte da tradição do berimbau. Geralmente são escolhidos seixos naturalmente lisos e achatados, que oferecem conforto durante a execução.

Cada pedra possui formato, peso e textura únicos, tornando cada dobrão praticamente exclusivo.

Em relação ao som, muitos tocadores descrevem a resposta como um pouco mais suave e menos metálica do que a produzida pelo dobrão de metal. Essas diferenças, porém, dependem também do arame, da verga, da cabaça e da técnica de quem toca.

Por isso, a preferência entre pedra e metal costuma ser uma questão de experiência pessoal.

Pedra ou metal: existe um melhor?

Não existe uma resposta definitiva.

Os dois materiais desempenham a mesma função e fazem parte da história do berimbau.

Enquanto alguns capoeiristas preferem a precisão e a resistência do metal, outros valorizam a sensação natural da pedra e sua ergonomia.

Mais importante do que o material é conhecer o próprio instrumento e desenvolver uma boa técnica para explorar todas as possibilidades sonoras do berimbau.

Comparando os dois

Dobrão de metal
  • Geralmente é feito de moeda ou peça metálica própria para berimbau.
  • Possui alta durabilidade e dificilmente sofre danos com o uso.
  • Seu formato costuma ser uniforme, facilitando a adaptação.
  • A superfície lisa proporciona uma pegada firme.
  • Produz um som mais brilhante, definido e com resposta rápida.

Dobrão de pedra (seixos)

  • Normalmente é confeccionado a partir de um seixo natural liso.
  • Também é resistente, embora possa quebrar em quedas ou impactos.
  • Cada pedra possui formato, peso e textura próprios.
  • Oferece uma sensação mais natural nas mãos.
  • Muitos capoeiristas percebem uma sonoridade mais suave e menos metálica.
Importante: A sonoridade do berimbau não depende apenas do dobrão. O tipo de arame, a verga, a cabaça e a técnica do tocador também influenciam diretamente o resultado final.

 

Portanto, o dobrão é um dos menores componentes do berimbau, mas exerce papel fundamental na construção do seu som.

Seja utilizando metal ou pedra, a escolha faz parte da identidade de cada capoeirista e da relação que desenvolve com o instrumento.

Experimentar diferentes materiais é a melhor maneira de descobrir qual deles proporciona maior conforto e a sonoridade que mais agrada aos seus ouvidos.

Referências

Agenda de capoeira em Salvador: tradição, disputa e ancestralidade movimentam a cidade 2026.2

Capital baiana mantém a capoeira no centro da programação cultural, com rodas, encontros e competições que conectam tradição, memória e nova...