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"A memória, na qual cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir ao presente e ao futuro. Devemos trabalhar de forma que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens."

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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

MAFRO-UFBA mantém programação com destaque para a presença das mulheres na exposição “Máfricas”

 Mostra de longa duração propõe um olhar decolonizador sobre as Áfricas e coloca as mulheres no centro de uma narrativa sobre cultura, memória e identidade. Aprecie enquanto está na cidade a sua disposição.

Em Salvador, falar sobre a presença africana é também falar sobre memória, resistência e protagonismo. É nesse território que o Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (MAFRO/UFBA) mantém a exposição “Máfricas: as Áfricas do MAFRO”, uma mostra de longa duração que propõe novas formas de olhar para a história e para as culturas africanas.

Presença das mulheres na exposição “Máfricas”

Agência: O Dobrão Online,Segunda-feira,12h.

Inaugurada em 2018, a exposição foi concebida para requalificar o setor África do museu e apresenta parte da Coleção Africana do MAFRO. Segundo o próprio museu, a mostra está organizada em quatro núcleos temáticos: as doze primeiras peças, linguagens, mulheres e afrofuturismo. A presença das mulheres, portanto, não aparece como elemento secundário, mas como um dos eixos estruturantes da narrativa. (Mafro)

Artigo completo:

Mulheres não são detalhe. São parte da história

A escolha de dedicar um núcleo específico às mulheres amplia o debate sobre como as sociedades africanas são representadas dentro dos museus.

Durante muito tempo, narrativas sobre África foram construídas a partir de perspectivas externas, frequentemente reduzindo o continente a imagens de exotismo, conflito ou ancestralidade estática. “Máfricas” segue outra direção ao propor, nas palavras do próprio MAFRO, “um olhar decolonizador sobre África”. (Mafro)

Nesse contexto, colocar as mulheres em evidência significa reconhecer seus papéis na produção de conhecimento, na transmissão de saberes, nas práticas religiosas, nas linguagens, nas relações sociais e na construção das identidades africanas e afro-diaspóricas.

A discussão também dialoga com pesquisas desenvolvidas na própria UFBA. O MAFRO disponibiliza estudo acadêmico dedicado à representação das mulheres negras nos museus de Salvador, mostrando como as instituições museológicas também participam da construção de imagens e narrativas sobre gênero e raça. (Mafro)

Uma coleção que atravessa o Atlântico

Outro ponto importante da exposição é a origem de parte do acervo apresentado.

O MAFRO informa que sua coleção é formada, de maneira geral, por dois grandes conjuntos: Africana e Afro-Brasileira. Em “Máfricas”, são apresentadas peças da Coleção Africana recolhidas por Pierre Fatumbi Verger em países da África Ocidental entre 1974 e 1975. (Mafro)

Entre os objetos estão peças relacionadas às artes, à religião, às linguagens e aos saberes. O museu explica que, durante uma viagem à Nigéria e ao Benim, Verger adquiriu 254 objetos destinados ao acervo, muitos deles ligados às tradições culturais que seriam posteriormente representadas no museu. (Mafro)

Há ainda um detalhe que ajuda a compreender a complexidade dessa coleção: as doze primeiras peças do MAFRO são cópias de objetos provenientes da atual República Democrática do Congo, doadas pelo Museu Real da África Central, em Tervuren, na Bélgica. (Mafro)

Ou seja, a exposição não apresenta apenas objetos. Ela apresenta trajetórias, deslocamentos e relações históricas entre África, Europa e Brasil.

Da peça ao protagonismo

É justamente aí que a presença das mulheres ganha força editorial.

Uma exposição museológica não é apenas uma reunião de objetos. A seleção, a organização e os textos que acompanham as peças ajudam a definir quais histórias serão contadas e de que maneira serão contadas.

“Máfricas” foi criada a partir de uma perspectiva que busca requalificar a narrativa sobre o continente africano. O projeto conceitual e curatorial é da museóloga Graça Teixeira, e a exposição contou com textos produzidos por pesquisadores convidados, entre eles Joana Flores, Juipurema Sandes, Henrique Freitas, Joseania Freitas e Thiara Matos. (Mafro)

Essa construção coletiva reforça uma mudança importante: falar de África não deve significar apenas falar sobre África, mas criar condições para que diferentes sujeitos, saberes e perspectivas façam parte da narrativa.

O museu como espaço de disputa de memória

A atuação do MAFRO vai além da exposição.

A instituição se apresenta como espaço de investigação, ensino e extensão ligado à Museologia da UFBA. Também desenvolve ações relacionadas à pesquisa, exposições temporárias, atividades educativas e difusão de informações provenientes de seu acervo. (Mafro)

Essa atuação transforma o museu em um espaço estratégico para discutir identidade, patrimônio e representação.

Em uma cidade como Salvador, cuja história está profundamente ligada à presença africana e afro-brasileira, essa responsabilidade ganha uma dimensão ainda maior. O museu não apenas preserva objetos: ajuda a produzir novas possibilidades de leitura sobre aquilo que a sociedade escolhe lembrar.

Por que olhar para as mulheres importa?

Porque nenhuma narrativa sobre África pode ser completa quando metade de seus protagonistas é colocada em segundo plano.

Ao reservar um dos quatro núcleos de “Máfricas” às mulheres, o MAFRO contribui para deslocar o olhar tradicional e ampliar a compreensão sobre as experiências femininas em diferentes contextos africanos.

Mais do que representar mulheres, a questão é reconhecer agência: mulheres que produzem, criam, preservam, transformam, lideram, ensinam e participam ativamente da construção de suas comunidades e culturas.

Essa perspectiva também ajuda o público brasileiro a compreender que a história da diáspora africana não pode ser contada sem considerar os protagonismos femininos que atravessaram o Atlântico e ajudaram a formar a sociedade brasileira.

Uma exposição que continua provocando perguntas

“Máfricas: as Áfricas do MAFRO” foi inaugurada em setembro de 2018 e permanece apresentada pelo museu entre suas exposições de longa duração. A proposta continua relevante justamente porque não entrega uma visão única ou definitiva sobre África: ela convida o visitante a reconsiderar aquilo que já pensa saber. (Mafro)

Ao colocar mulheres, linguagens e afrofuturismo ao lado da história das primeiras peças do acervo, a exposição constrói uma narrativa que conecta passado, presente e futuro.

E talvez esteja aí sua principal força.

“Máfricas” lembra que preservar memória também é disputar o direito de contar a própria história. E, nessa história, as mulheres não ocupam as margens: elas também estão no centro.

Serviço

O MAFRO/UFBA está localizado no Largo do Terreiro de Jesus, s/n, Prédio da Faculdade de Medicina da Bahia, Centro Histórico de Salvador.

A página institucional do museu informa visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, para a exposição “MÁFRICAS – As Áfricas do MAFRO”. (Mafro)

Para informações atualizadas sobre visitação, programação e atividades, consulte os canais oficiais do MAFRO/UFBA  | MAFRO - Museu Afro-Brasileiro Largo do Terreiro de Jesus s/n, Prédio da Faculdade de Medicina da Bahia CEP: 40026-010 Centro Histórico Salvador-BA, Brasil Telefone/Fax: +55 (71)3283-5540 Email: mafro@ufba.br.

Fontes institucionais: Museu Afro-Brasileiro da UFBA e Universidade Federal da Bahia.

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