O som que nasce dos dedos: dobrão de pedra ou de metal no berimbau?
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| Dobrão de Berimbau (Metal e Pedra/Seixos) |
Entre seus componentes existe uma peça pequena, mas essencial: o dobrão. Segurado entre os dedos do tocador, ele pressiona o arame para produzir as diferentes notas do berimbau.
Ao longo do tempo, dois materiais se tornaram os mais utilizados: metal e pedra. Ambos cumprem a mesma função, mas oferecem características sonoras e táteis diferentes.
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A origem do dobrão
O nome "dobrão" vem das antigas moedas metálicas que circularam no Brasil durante o período colonial. Com o passar dos anos, capoeiristas passaram a utilizar moedas de cobre ou latão para pressionar o arame do berimbau, e o nome permaneceu mesmo quando outros materiais começaram a ser usados.
Registros históricos mostram que moedas foram amplamente empregadas pelos praticantes de capoeira, principalmente entre o final do século XIX e o século XX, quando eram fáceis de encontrar e possuíam tamanho adequado para o instrumento.
O dobrão de metal
O dobrão metálico continua sendo um dos mais utilizados atualmente.
Seu contato direto com o arame produz um som mais definido, brilhante e com resposta rápida, facilitando mudanças de nota e efeitos característicos do berimbau.
Além da sonoridade, o metal apresenta algumas vantagens:
grande durabilidade;
formato uniforme;
boa resistência ao desgaste;
fácil reposição.
Hoje também existem dobrões fabricados especialmente para berimbau, produzidos por artesãos e luthiers, mantendo medidas e acabamento próprios para o instrumento.
O dobrão de pedra
O uso de pedras também faz parte da tradição do berimbau. Geralmente são escolhidos seixos naturalmente lisos e achatados, que oferecem conforto durante a execução.
Cada pedra possui formato, peso e textura únicos, tornando cada dobrão praticamente exclusivo.
Em relação ao som, muitos tocadores descrevem a resposta como um pouco mais suave e menos metálica do que a produzida pelo dobrão de metal. Essas diferenças, porém, dependem também do arame, da verga, da cabaça e da técnica de quem toca.
Por isso, a preferência entre pedra e metal costuma ser uma questão de experiência pessoal.
Pedra ou metal: existe um melhor?
Não existe uma resposta definitiva.
Os dois materiais desempenham a mesma função e fazem parte da história do berimbau.
Enquanto alguns capoeiristas preferem a precisão e a resistência do metal, outros valorizam a sensação natural da pedra e sua ergonomia.
Mais importante do que o material é conhecer o próprio instrumento e desenvolver uma boa técnica para explorar todas as possibilidades sonoras do berimbau.
Comparando os dois
- Geralmente é feito de moeda ou peça metálica própria para berimbau.
- Possui alta durabilidade e dificilmente sofre danos com o uso.
- Seu formato costuma ser uniforme, facilitando a adaptação.
- A superfície lisa proporciona uma pegada firme.
- Produz um som mais brilhante, definido e com resposta rápida.
Dobrão de pedra (seixos)
- Normalmente é confeccionado a partir de um seixo natural liso.
- Também é resistente, embora possa quebrar em quedas ou impactos.
- Cada pedra possui formato, peso e textura próprios.
- Oferece uma sensação mais natural nas mãos.
- Muitos capoeiristas percebem uma sonoridade mais suave e menos metálica.
Importante: A sonoridade do berimbau não depende apenas do dobrão. O tipo de arame, a verga, a cabaça e a técnica do tocador também influenciam diretamente o resultado final.
Portanto, o dobrão é um dos menores componentes do berimbau, mas exerce papel fundamental na construção do seu som.
Seja utilizando metal ou pedra, a escolha faz parte da identidade de cada capoeirista e da relação que desenvolve com o instrumento.
Experimentar diferentes materiais é a melhor maneira de descobrir qual deles proporciona maior conforto e a sonoridade que mais agrada aos seus ouvidos.
Referências
ABREU, Frederico José de. O Barracão do Mestre Waldemar. Salvador: Zarabatana Books.
REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: Ensaio Socioetnográfico. Salvador: Itapuã.
IPHAN – Dossiê de Registro da Roda de Capoeira e do Ofício dos Mestres de Capoeira (2007).
UNICAMP. Pesquisas sobre a evolução histórica do berimbau e seus componentes.
DECÂNIO FILHO, Angelo A. A Herança de Mestre Bimba e demais registros sobre a Capoeira Regional.


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