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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Dobrão de Pedra ou de Metal no Berimbau: Qual a Diferença?

O som que nasce dos dedos: dobrão de pedra ou de metal no berimbau?

Por Agência O Dobrão Online | 10 Julho de 2026


O dobrão de berimbau é um dos componentes mais importantes do berimbau. Neste artigo, conheça a história do dobrão de pedra e do dobrão de metal, descubra suas diferenças sonoras e entenda por que a escolha depende da preferência e da técnica de cada capoeirista.

Dobrão de Berimbau (Metal e Pedra/Seixos)

Quem já participou de uma roda de capoeira sabe que o berimbau é muito mais do que um instrumento musical. Ele conduz o ritmo da roda, orienta o jogo e ajuda a criar a atmosfera da capoeira.

Entre seus componentes existe uma peça pequena, mas essencial: o dobrão. Segurado entre os dedos do tocador, ele pressiona o arame para produzir as diferentes notas do berimbau.

Ao longo do tempo, dois materiais se tornaram os mais utilizados: metal e pedra. Ambos cumprem a mesma função, mas oferecem características sonoras e táteis diferentes.

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A origem do dobrão

O nome "dobrão" vem das antigas moedas metálicas que circularam no Brasil durante o período colonial. Com o passar dos anos, capoeiristas passaram a utilizar moedas de cobre ou latão para pressionar o arame do berimbau, e o nome permaneceu mesmo quando outros materiais começaram a ser usados.

Registros históricos mostram que moedas foram amplamente empregadas pelos praticantes de capoeira, principalmente entre o final do século XIX e o século XX, quando eram fáceis de encontrar e possuíam tamanho adequado para o instrumento.

O dobrão de metal

O dobrão metálico continua sendo um dos mais utilizados atualmente.

Seu contato direto com o arame produz um som mais definido, brilhante e com resposta rápida, facilitando mudanças de nota e efeitos característicos do berimbau.

Além da sonoridade, o metal apresenta algumas vantagens:

  • grande durabilidade;

  • formato uniforme;

  • boa resistência ao desgaste;

  • fácil reposição.

Hoje também existem dobrões fabricados especialmente para berimbau, produzidos por artesãos e luthiers, mantendo medidas e acabamento próprios para o instrumento.

O dobrão de pedra

O uso de pedras também faz parte da tradição do berimbau. Geralmente são escolhidos seixos naturalmente lisos e achatados, que oferecem conforto durante a execução.

Cada pedra possui formato, peso e textura únicos, tornando cada dobrão praticamente exclusivo.

Em relação ao som, muitos tocadores descrevem a resposta como um pouco mais suave e menos metálica do que a produzida pelo dobrão de metal. Essas diferenças, porém, dependem também do arame, da verga, da cabaça e da técnica de quem toca.

Por isso, a preferência entre pedra e metal costuma ser uma questão de experiência pessoal.

Pedra ou metal: existe um melhor?

Não existe uma resposta definitiva.

Os dois materiais desempenham a mesma função e fazem parte da história do berimbau.

Enquanto alguns capoeiristas preferem a precisão e a resistência do metal, outros valorizam a sensação natural da pedra e sua ergonomia.

Mais importante do que o material é conhecer o próprio instrumento e desenvolver uma boa técnica para explorar todas as possibilidades sonoras do berimbau.

Comparando os dois

Dobrão de metal
  • Geralmente é feito de moeda ou peça metálica própria para berimbau.
  • Possui alta durabilidade e dificilmente sofre danos com o uso.
  • Seu formato costuma ser uniforme, facilitando a adaptação.
  • A superfície lisa proporciona uma pegada firme.
  • Produz um som mais brilhante, definido e com resposta rápida.

Dobrão de pedra (seixos)

  • Normalmente é confeccionado a partir de um seixo natural liso.
  • Também é resistente, embora possa quebrar em quedas ou impactos.
  • Cada pedra possui formato, peso e textura próprios.
  • Oferece uma sensação mais natural nas mãos.
  • Muitos capoeiristas percebem uma sonoridade mais suave e menos metálica.
Importante: A sonoridade do berimbau não depende apenas do dobrão. O tipo de arame, a verga, a cabaça e a técnica do tocador também influenciam diretamente o resultado final.

 

Portanto, o dobrão é um dos menores componentes do berimbau, mas exerce papel fundamental na construção do seu som.

Seja utilizando metal ou pedra, a escolha faz parte da identidade de cada capoeirista e da relação que desenvolve com o instrumento.

Experimentar diferentes materiais é a melhor maneira de descobrir qual deles proporciona maior conforto e a sonoridade que mais agrada aos seus ouvidos.

Referências

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

2 de dezembro - Dia Nacional do Samba | Os Hilariantes (Hilária Batista de Almeida | Hilário Jovino Ferreira ) do Samba no Brasil

O Dia Nacional do Samba, celebrado em 2 de dezembro, é uma data dedicada a homenagear um dos gêneros musicais mais emblemáticos e representativos da cultura brasileira. Instituído oficialmente em 1963, o dia celebra a importância do samba como manifestação artística, social e histórica.

O samba ganhou notoriedade nos morros cariocas no início do século XX e, desde então, passou a influenciar diversas outras manifestações culturais, como o carnaval, que o levou aos palcos mundiais. Gêneros como o samba-enredo, samba de roda e pagode derivam do estilo original e enriquecem sua diversidade.

O Dia do Samba é marcado por rodas de samba, eventos culturais e festas por todo o país, em especial no Bahia e Rio de Janeiro, reafirmando o papel do samba como patrimônio imaterial do Brasil e sua relevância no cenário cultural global.

Na Bahia, o samba possui uma grande importância histórica e cultural: o samba de roda. Reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2005, o samba de roda é uma das expressões mais autênticas da cultura afro-brasileira e tem suas raízes profundamente ligadas às tradições dos povos africanos trazidos ao Brasil durante o período escravocrata.

O samba de roda surgiu no Recôncavo Baiano e é marcado por uma combinação de música, dança e religiosidade. Ele incorpora instrumentos de percussão como o atabaque, pandeiro e berimbau, além do violão e da viola. Suas letras geralmente tratam de temas do cotidiano, da natureza e das vivências comunitárias, enquanto os movimentos da dança são caracterizados por giros e passos marcados, muitas vezes em torno de uma roda, o que fortalece o espírito de coletividade.

Além de sua função festiva, o samba de roda desempenhou um papel fundamental na preservação das tradições africanas, funcionando como uma forma de resistência cultural e integração social. Foi também um precursor do samba urbano que se desenvolveu no Rio de Janeiro no início do século XX.

Na Bahia, o Dia Nacional do Samba é celebrado com grande entusiasmo, especialmente em Salvador e no Recôncavo, com rodas de samba, apresentações culturais e eventos que ressaltam a força e a beleza dessa vertente singular do samba brasileiro.

Sim, o samba tem suas raízes na Bahia, especialmente no Recôncavo Baiano e na Bahia, o samba de roda é considerado uma das manifestações culturais mais antigas e fundamentais para o surgimento do samba urbano. Essa forma de samba, que mistura dança, canto e percussão, nasceu da fusão de tradições africanas com elementos da cultura portuguesa e indígena, especialmente no contexto das comunidades negras no período colonial.

Com o fluxo migratório de baianos para o Rio de Janeiro, principalmente no final do século XIX e início do XX, essas tradições foram levadas para os bairros cariocas, onde ganharam novas características. Em 1917, a gravação de "Pelo Telefone", atribuída a Donga e Mauro de Almeida, é frequentemente considerada o marco inaugural do samba como gênero musical urbano.

Embora o samba moderno tenha se popularizado no Rio de Janeiro (grande meios de comunicação no local ajudou e favoreceu o samba no Rio, mas a Bahia é amplamente reconhecida como o berço do samba em sua essência, onde tradições como o samba de roda, os terreiros de candomblé e as rodas de capoeira formaram as bases rítmicas e culturais que deram origem ao gênero. Dessa forma, o samba carrega uma forte conexão com a ancestralidade e a resistência cultural da população negra, especialmente a baiana.

O baiano Hilário Jovino Ferreira foi um dos responsáveis por levar a tradição dos blocos carnavalescos para o Rio de Janeiro. Nascido na Bahia em 1855, ele chegou ao Rio no final do século XIX, trazendo consigo elementos da cultura baiana que influenciariam profundamente o carnaval carioca.

Hilário Jovino é conhecido como um dos fundadores dos primeiros ranchos carnavalescos, que eram grupos organizados de foliões que desfilavam durante o carnaval, acompanhados de música, dança e fantasias. Esses ranchos, inicialmente inspirados nas tradições das festas de reis da Bahia, representavam uma alternativa mais estruturada às manifestações carnavalescas populares da época, como o entrudo. Ele fundou ranchos importantes como o "Rei de Ouros" e "Macaco é Outro", que contribuíram para o desenvolvimento da estética e da organização do carnaval no Rio.

Além de sua contribuição para o carnaval, Hilário Jovino foi um pioneiro na valorização da cultura afro-brasileira, tendo também participação nas rodas de samba e em outras expressões culturais que ajudaram a consolidar o samba como um gênero musical urbano no Rio de Janeiro.

Sua influência é reconhecida como um elo entre as tradições culturais baianas e a construção de uma identidade carnavalesca carioca, que mais tarde se tornaria mundialmente famosa.

A baiana Tia Ciata, cujo nome verdadeiro era Hilária Batista de Almeida, foi uma figura central na história do samba e da cultura afro-brasileira. Nascida em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em 1854, ela migrou para o Rio de Janeiro ainda jovem e se estabeleceu na região da Praça Onze, conhecida como "Pequena África", um reduto de resistência cultural das comunidades negras.

Tia Ciata era uma tiazinha de terreiro, sacerdotisa do candomblé, e sua casa tornou-se um ponto de encontro fundamental para a comunidade afro-brasileira. Ali, realizava festas, rodas de samba e cultos religiosos, além de servir sua famosa comida baiana. Sua residência era frequentada por músicos, sambistas, compositores e personalidades como Donga, Pixinguinha e João da Baiana, que encontraram ali um espaço seguro para preservar e inovar suas tradições culturais.

A primeira música registrada como samba, "Pelo Telefone", atribuída a Donga e Mauro de Almeida, teria surgido durante uma dessas rodas de samba na casa de Tia Ciata, por volta de 1916. Embora o samba já existisse como manifestação cultural, a casa de Tia Ciata foi um catalisador para sua transição de expressão comunitária para um gênero musical reconhecido nacionalmente.

Tia Ciata é considerada uma matriarca do samba e um símbolo da resistência e preservação das tradições culturais afro-brasileiras. Seu legado permanece vivo, sendo reverenciado especialmente no Dia Nacional do Samba.

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